quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Silêncio de Vidro

Bastou aquele gesto
Da tua mão tocar tão docemente a minha
Pra nascerem raízes
Que me prendem à terra e me alimentam
Nas horas mais vazias.
Bastou aquele olhar
-O teu olhar tão brando, prolongando-se um pouco sobre o meu –
Para iluminar as noites em que a lua se esconde
E a escuridão envolve um mundo sem sentido.
Bastou esse teu jeito de sorrir,
Um sorriso em que vejo despontar a confiança
Na vida não vivida, nas emoções ainda não sentidas,
Nos passos que ressoam noutros passos.
Bastaste tu.
Maria Eugénia Cunhal

Amar é como uma droga

Amar é como uma droga.
No princípio vem a sensação de euforia, de total entrega.
Depois no dia seguinte tu queres mais.
Ainda não te viciaste mas gostaste e achas que podes mantê-la sob controlo.
Pensas durante dois minutos dela e esqueces por 3 horas.
Mas aos poucos, acostumas-te com aquela pessoa e passas a depender completamente dela.
Então pensas por 3 horas e esqueces por 2 minutos...
Se ela não está por perto, experimentas as mesmas sensações que os viciados tem quando não conseguem arranjar droga.
Nesse momento, assim como os viciados roubam e humilham-se para conseguir o que precisam, tu tás disposto a fazer qualquer coisa por amor.

Paulo Coelho

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Já gastámos as palavras

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse:
as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Abertura de espaço!

Há alguns dias atrás perguntaram-me o que desejava para o 2009 que aí vem e o que por uma razão ou por outra tinha ficado por fazer em 2008...
Surgiu então em mim a sensação que o meu gosto por poesia, pequenas estórias ou pensamentos bonitos poderia dar direito a criar um cantinho no mundo cibernético.
Chegar ao nome do Blog foi fácil, construi-lo também.
Comecei por depositar alguns poemas meus, outros que gosto e pelo menos até Fevereiro já tenho vários posts agendados que vão surgindo dia a dia de forma automática.
Disponham deste lugarzito, divirtam-se e se gostarem em especial de algum poema podem deixar um comentário!
Desde já obrigado pela visita :)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Rosalinda: a águia mágica

Era uma vez …
Uma pequena cidade num país muito distante.
Nesta cidade havia uma linda e grande águia que morava numa linda gaiola dourada.
Era uma águia diferente.
O seu nome era Rosalinda! Era portentosa e belíssima, as suas asas eram enormes e as suas penas cheias de brilho.
Antes de morar nesta cidade, Rosalinda era uma águia livre. Voava noutras terras … perto do mar!
Lá, voava alegremente sobre as árvores, passeava com à vontade normal de quem se sente contente e espontânea, era uma vida em natureza, saudável sobre todos os aspectos. Rosalinda era uma águia feliz!
O seu esplendor reflectia-se em tudo, vivia num lindo lugar natural que a inspirava.
Até que um dia, Rosalinda foi capturada e aprisionada, sendo que a sua casa passou então a ser uma grande e linda gaiola dourada numa terra, longe do mar, e longe da vida que era a sua até então.
E foi desde aí que se começaram a notar nela várias diferenças. Rosalinda, aprisionada naquela linda gaiola dourada, tornou-se uma águia triste.
A sua vida não tinha mais sentido.
Dormia durante todo o dia alienada. Acabava por fazer pouco exercício pois o tamanho da sua gaiola não permitia grandes ousadias, não sentia o vento bater-lhe, não sentia o sol nem o cheiro da fauna e da flora. Mas, quando a noite chegava perdia o sono, e sem mais nada para fazer, por puro aborrecimento, chiava, soltando sons como fazia quando era uma águia livre. Com o seu canto vinham as lembranças das outras terras e do mar e daquilo que foi a sua infância.
Rosalinda não sabia que o seu canto era mágico e os poderes que dele resultavam. Transformava-se em alegrias, lembrando as cores do seu antigo lugar.
A música vinda da saudade de Rosalinda, espalhava-se na noite e entrava por todos os lados … pelos buracos das fechaduras, por debaixo das portas, pelas frestas das janelas, enquanto a gente daquele lugar dormia. A melodia do canto de Rosalinda tinha o dom de modificar o sonho das pessoas.
E aqueles que sonhavam com coisas terríveis, ao ouvir a música esqueciam os pesadelos.
Tudo se transformava…
As cores da melodia da música de Rosalinda, vinda da saudade de outras terras e do mar, coloriam todos os sonhos. E a gente daquele lugar acordava feliz para mais um dia.
Até que um dia tudo se alterou. Uma noite, a sua melodia acordou um pequeno menino…Então o menino percebeu que a melodia não fazia parte do seu sonho, que aquele choro existia de verdade…
Correu a chamar seus pais, e juntos, percorreram aquele pequeno lugar na direcção do canto de Rosalinda e pelo caminho foram acordando todos os seus vizinhos e amigos…
Já toda a população estava acordada quando no alto de uma casa, no parapeito de uma grande janela, avistaram uma linda gaiola dourada, que brilhava ao luar…
Todos juntos, à porta daquela casa exigiram a libertação de Rosalinda para que ela pudesse voar e alegrar os sonhos de todas as pessoas do Mundo…
E foi na altura da libertação da Rosalinda que toda a população daquela pequena cidade em coro gritou:
- Voa, voa livre! Voa! És uma águia e o teu habitat natural não é uma gaiola! Sê livre e feliz! Voa! Voa…!
E a águia embora confusa, não querendo acreditar no que lhe estava a acontecer voou maravilhada de volta à realidade, um pouco trôpega de início, levando a velha frase de sabedoria popular avante “quem sabe nunca esquece” voou rápida e esplendorosamente como o tinha feito antes e voltou para sua casa, para junto do mar, para o seu espaço natural.
Nas suas viagens o seu chiar levará sempre a melodia que alegra os sonhos dos homens…
Conto cantado, o conto está acabado!
Dinis Gorjão - Janeiro 2007

E a vida é ...

Simular, dissimular, fingir
Que validade pode ter?
Sonhar, viver e amar
Que mais se pode crer?

Poder viver a vida a sorrir
É sorte que nem todos vão ter
Outros vêem sua vida fugir
Muito vão ter que sofrer
Dinis Gorjão

Veia artística

Não sabia que tinha esta veia artística
Não é muita, mas tem a sua mística
Por gosto vou desenvolvendo
De poesia sempre gostei, gosto vou mantendo

De poesia sempre gostei
Ler, declamar, recitar
Grandes poetas eu já estudei
Meu reportório foi sempre a aumentar

Porquê passar tempo a escrever
Quando ninguém vai ler
Posso mostrá-las a alguém
Mostro na minh’alma um vaivém

Quem mostra seus poemas
Mostra sua vida, seus temas
Mostra sua alma nua e crua
Daí pa frente sua alma não é só sua

Ler poemas e música ouvir
Escrever poemas com música de fundo
Quero mudar quero sorrir
Não me chateiem no meu mundo

Não faço mal a ninguém
Estou sempre disponível
Um bom alvo em mim vêm
Coisa de pessoas sem nível

Tou lixado com algumas coisas
Apetecia-me gritar, partir loiças
Não há coisa que o tempo não leve
Faça sol ou caia neve

C’um caraças meu irmão
Assim vou perdendo a ilusão
O mundo não é utopia
O cão ladra de dor, o gato mia de agonia

Uns dias faz sol
Outros cai chuva
Tou engripado, vai um panadol
Se tou mal, bebo suma de uva?

Beber não será solução
Gastar dinheiro em bares
Mau caminho, mau plano de acção
Temos é que afastar os maus olhares
Dinis Gorjão - 03/05/06

Inquietudes

Tenho mais imaginação
Quando estou irritado
Muito quero dizer e nada digo
Então desabafo a escrever
Vai ficando como recordação
Vou ficando mudado
Como separar o joio do trigo
Há que escolher o que há pa fazer

Ser feliz à minha maneira
Sorrir de sobremaneira
Fazer o que me apetecer
Ser porreiro e poder escolher

Sou teimoso e obstinado
Muito me tenho mudado
Em pequeno era reguila
Irrequieto era um puto xarila

Cresci numa aldeia
Meia vida, vida meia
Fui parar à cidade alheia
Beja grande, Beja do meu coração
No início foi um grande trambolhão

Da minha vida fazem parte
Coisas banais, grupos corais
Fatias duma mesma tarte
Nada é demais, coisas principais

Admiro muita gente
Outras até venero
Manter amizade ardente
É tudo o que mais quero

Há coisas muito estranhas
Muitas ideias, muitas manhas
Só me enganam à primeira
Depois recolho à trincheira

Há que ter uma visão geral
Coisas novas, sessão inaugural
O tempo vai urgindo
A vaca vai mugindo
Dinis Gorjão - 03-05-06

Singelo sorriso

Admiro em ti uma coisa singela
Como é bonita tua forma de (sor)rir
Quando o fazes, bem me fazes sentir
Coisa simples, mas singular e bela

Loura e morena és toda gira
Na rua eu te espero e vejo passar
Obviamente que fico pasmado a olhar
Gosto de te ter na minha mira

Sempre passas deslumbrante
Quero beber contigo vinho espumante
Olhar bem e teu olhar ver
Conjugar contigo o verbo bem-querer

Da minha vida tu fazes parte
És fatia de uma grande tarte
Outras coisas há, são coisas banais
Também há como tu, são interesses principais

Na ESEB vamos estudando
À noite nos vamos divertindo
Nossa vida, graças a deus, bem vamos indo
Tass bem mas a juventude vai passando

Agora em jeito de remate
Se aproxima a melhor parte
Mil abraços e beijos eu te quero dar
Se puder ser, sempre esse dia lembrar!
Dinis Gorjão - Maio de 2006

Dedicatória na fita de curso

És a chata que me persegue
Mesmo que com energia eu negue
És impertinente, e mais que uma irmã
Queres ser segunda mamã

Já tens o curso acabado
Tá-se a acabar o bom fado
Vida de estudante já é passado
Já tá lá atrás tudo bem amassado

Pró ano aulas tens para leccionar?
Putos reguilas para ensinar
Há conhecimentos a passar
Muito vais ter que lhes explicar

Já te safas-te com 4 quadras
Fixes, embora sendo magras
Foi o melhor que se pode fazer
Para lembrar e não mais esquecer

Para não me chamares preguiçoso
Lá vai mais uma, feito manhoso
Podes sempre arrumar o meu quarto
De fazer esses pedidos eu não me farto

Já chega de rimas e opiniões
Não se consegue por no papel emoções
No futuro há que atingir a felicidade
Vivendo alegre e com humanidade

Lá diz o ditado antigo de Brasília
Para ser feliz, troca preocupações
Por rotineiras ocupações
Ouviste bem Marília?
Dinis Gorjão - Maio de 2006
(Dedicado à mana Marília)

Dedicatória na fita de curso

Conterrânea lutadora
Na vida já é professora
Ana com A de Alegria
M mágico de Maria

Longo caminho há a percorrer
Dando aulas com muito prazer
Voando vai a cegonha para o ninho
Segue tu com um sorriso o teu caminho
Dinis Gorjão - Maio de 2006
(Dedicado à amiga Ana Maria)

Mara...vilha-te

Mara...vilha-te, alegria!
A sorte nunca vem vazia
Teus contos de fadas teus
Teus cansaços sao ateus

Mereces mais e diferente
condizente com a tua mente
Procura por ai a felicidade
afasta de ti essa vil maldade

Pois tu, bruxinha, condizes
Com o que nunca existiu...
Retorna aos dias felizes
E deixa chorar quem riu.
Dinis Gorjão - Novembro de 2006
(dedicado à amiga Mara)

Coisas que acontecem

Na vida há coisas que acontecem
Umas que sempre se esquecem
Outras que sempre nos batem
E muito mal elas nos fazem

Temos que ser descartáveis
Viver vivendo a sorrir
Em vez de maus, ser amáveis
Estamos de passagem, um dia vamos partir

Amarguras, tristezas e pensamentos
Tudo vamos armazenando
Foram apenas momentos
Mas que nos vão martelando

Desilusões com os que pensamos ser amigos
Mesmo com aqueles mais antigos
Deixamos de com eles contar
Vida p’a frente e toca a andar

Há coisas que ficam para sempre
Mesmo que se siga em frente
Grãos ficam no sapato
Ser culpado sem culpa é chato

Facas nas costas me espetaram
Muito mal elas causaram
Fodass pás brincadeiras
Fruto de puras asneiras

O dia corre muito mal
Mais logo vou correr pró ramal
A cabeça aliviar
Mal estar vai passar

Embrulhadas a mais
Voam ventos e vendavais
Não se ouvem os pardais
Não são tempos tradicionais

Amigos temos que preservar
Os bons não são fáceis de achar
Mas alguns metem a pata na poça
Riem-se depois, mas fizeram moça

Quadras vou fazendo
Tempo a passar
Irritações peso vão perdendo
Irritações há que evitar
Dinis Gorjão - Setembro de 2008

Infância na aldeia

Minha terra é linda
Saudades em mim se criam
Tenho vontade de lá voltar
Tanta que vocês nem imaginam

Adoro cães, mas nenhum posso ter
Minha casa não tem disso possibilidade
Mas um dia dono de um quero ser
É tão bom ter um amigo de verdade!

Skipy quanto de ti me lembro
Lágrimas em mim querem correr
É como ter perdido um membro
Como me posso de ti esquecer?

Em pequeno muito brinquei
Dia a dia coisas novas descobri
E por isso nunca duvidei
Minh’alma de criança manti

Santo Aleixo da Restauração
Terra onde cresci
Para sempre no meu coração
Tua batida eu sempre senti
Dinis Gorjão - 2004

Fábula do Perú

Um peru conversava com um touro. "Adorava subir ao topo daquela árvore" disse a ave ao bovino, "mas não tenho força suficiente para levantar voo".
"Podes lamber-me o rabo", respondeu o touro, "o meu estrume tem muitas vitaminas".
Então o peru começou a lamber o rabo do touro, notando que começava a ter forças para gradualmente ir subindo ramo após ramo até que, passado algum tempo, chegou, finalmente, ao topo da copa da árvore.
Uns dias depois, um lavrador que o viu empoleirado na árvore, agarrou uma espingarda e deu-lhe um tiro no papo.

Moral da história:
"Lamber cus pode levar-te ao topo mas em geral, não por muito tempo!"

Quem ama…

Porque quem ama
Não sabe tal é o drama
Quando alguém nos trama
E então ficamos na lama

Coisa bela da vida: poder rir
Viver rindo e sonhar
Muitas emoções poder sentir
Mas que será da vida sem amar?

E se assim for
Rebentamos de dor
Olhando em nosso redor
Pensando ser filho de deus menor

E só nos apetece fugir
Responder a alguém a mugir
Em vez de falar tossir
Colocar a mágoa a sair

E se não vem o nosso resplendor
Foge a vida, fica o ardor
Tormento que alguém nos quis por
Fica o coração frio sem fervor

Fica o corpo arrefecido
Fica o coração humedecido
Depois de um comportamento bandido
Qualquer contacto fica banido

Ainda não descobri um grande amor
Que me controle, que me tome
Comigo um só some
De aventura tenha fome
Que me faça sentir aquele calor …

Agora em jeito de remate
Se aproxima a melhor parte
Mil abraços e beijos eu quero dar
E à espera desse alguém eu vou estar

Dinis Gorjão 26/09/2007

Há sempre alguém que nos faz falta

Há sempre alguém que nos faz falta!
Menina lutadora,
tu sabes que és uma lutadora!
A licenciatura chegou e o futuro está aí.

Agarra-o.
És mesm muito importante para mim.
Guardo comigo todos os momentos
que já passámos.

Começou lá atrás,
parece que foi ontem,
mas já foi há um ano.

Qualquer coisa de bom que nasceu
não vai terminar.

Porque preciso de ti.
Dinis Gorjão - Maio de 2007

A despedida

Quatro anos que são marcos da nossa vida
nos quais parámos para viver
foi uma empolgante corrida
em que nos ficámos a conhecer

Ai! Tempos de encantos...
volvidos episódios e fulgores
findemos ora sem grandes prantos.
Guardar-vos-ei como meus amores!

Adeus amigos da minha alma
vossoscarinhos não são meus
a saudade corta-me a fala!
Mal consigo dizer... adeus.
Dinis Gorjão Benção das Pastas - 08/02/2008

Fui à rua...

Fui à rua
Olhei para a lua
lembrar quem dera
e vi ela
e que quimera...
estava a sonhar!

E então
olhei de novo o céu!
Agora, a lua fugia...
Zig zagues fazia
e a noite era linda...
E sorria.

Imaginei-te num beijo,
um beijo nervoso e lento...
Como quem cede ao desejo
conforme a nuvem
cede ao vento.
Dinis Gorjão

Desejos

eu nem imagino o que poderia acontecer,
se eu visse essa toalha a cair
a cobrir sua dona iria-me entreter
para nenhum frio ela poder sentir
Dinis Gorjão - 2005

De férias...!

Bebida pa beber
maconha pa fumar
menina pa falar
sorriso pa valer!
Dinis Gorjão, Cádiz - Agosto de 2008

Disparates

Não sei se vou ficar aqui
Ou se vou fazer esqui
Mas tinha que aprender
De pé tinha que me manter

De vez em quando só digo disparates
Outras digo coisas impecáveis
Dinis Gorjão

Palavras soltas sem nexo

E porque tudo sai ao contrário
Escondemo-nos num armário
Com comportamento otário
Mau resultado sumário

E então ficamos ao sol
Fica a cabeça e o corpo mole
Trinca-se algo, bebe-se sumol
E toma-se um panadol

E se não regressa o nosso resplendor
Foge a vida, fica o ardor
Tormento que alguém nos quis por
Fica o coração frio sem calor

E achamo-nos vulgares
Sorte má, maus olhares
Não te obrigo a me amares
Se outro contemplares

E assim é para continuar
À procura de melhor amar
Melhor pessoa para namorar
Em que se pode confiar

Ando confuso por ter que escolher
Melhor moça tento ter
Muito feliz eu quero ser
Atrás da vida eu vou correr

Ainda tenho esperança
De usar contigo uma aliança
Representando a nossa junção
Cantando aquela nossa canção

Quero ouvir aquele cante
Acordar contigo minha amante
Seres tu a minha rainha
Tu és boa matéria-prima

Vamos ver o que será o futuro
Ultrapassaremos nosso muro?
Ou nosso carro terá um furo…
Será que nosso amor é puro?

Quero atingir a felicidade
Enquanto é tempo e sem maldade
E com grande sagacidade
Evitar viver com crueldade

Hoje já está tudo dito
Quem sabe ultrapassarei o mito
Se assim não for então eu grito
Perco fortuna, fico falido

Por ora é hora de ir deitar
Tenho o cérebro a fumegar
Pôr estas frases a rimar
Sobre o que significado de amar

Amanhã é outro dia
Ladra o cão, o gato mia
Não é mau estar celibatário
Quem me dera ter o teu fadário
Dinis Gorjão

Projecto

Belo projecto a realizar,
crianças e jovens a participar,
você a assistir
nós a produzir.
Dinis Gorjão - Abril de 2005

Adolescência na cidade

Árbitro de Futebol quis ser
Tarefa nada fácil de se escolher
Velhos amigos me habituei a perder
Novos amigos os fizeram esquecer

Estudei na Mário Beirão
Puto ainda com pouco viver
Sai de lá um rapagão
Com ganas de outras coisas conhecer

Fui para a D.Manuel estudar
Antigos colegas perdi
Mau bocado custou a passar
Mas sinto que por isso cresci

Com tanta confusão
Um ano acabei por perder
Tornei-me mais rezingão
Era a forma de me defender

Os tempos foram-se passando
Ano após ano o secundário conclui
Não sabia o que me estava esperando
O curso de Animação eu escolhi

Malta porreira eu conheci
Novas maneiras de viver
Novas pessoas conheci
Amigos para sempre hei-de ter!

Música Grupo de Escoteiros de Beja

Ser Escoteiro (para ser cantada ao som de I'm Yours de Jason Mraz)

Antes faltava-me algo e eu não sabia o que era
tentei procurar até que encontrei
como é que não o vi antes
Vou atrás do meu sonho

Somos um grupo à maneira
É um orgulho dizê-lo
Nada nos vai parar
Eu tenho toda a certeza

Vamos seguir um rumo
Boa Caça e Sempre Pronto!

Então eu não vou negar, não, nunca mais!
Eu sou escoteiro
E gosto!

Abre o coração e vê como eu
Abre os teus braços e sente alegria
Olha para o lado e encontras um grande amigo
Ouve a música ... anda canta comigo
Os escoteiros sao uma grande família
Aproveita para ser feliz e .... sorri! sorri!

Então eu não vou negar, não, nunca mais!
Eu sou escoteiro
E gosto!

Para quê negar?
Eu sei que é fixe
Eu sou escoteiro
E Gosto!
Dinis Gorjão - Novembro de 2008

Vida de Árbitro

Hoje estou um pouco cansado
Tive jogo e muito tive que correr
Vou ficando estafado
Não sei se árbitro me irei manter

No distrito onde me cabe apitar
O melhor eu quero ser
Minhas pernas os chefes estão a cortar
Dizem que me querem proteger

Muito novo ainda sou
Mas os anos vão passando
Da arbitragem me estou fartando
Qualquer dia disso me vou

Com todos tenho boa relação
Mas invejas sobre mim existem
Ser como eu eles querem
Vocês nem tão a ver como eles são

Querem ser uns grandes abutres
Devoradores, forazes, cruéis
Não tenho medo de mamutes
Os árbitros não são fiéis

Porque é que somos assim?
Custo a perceber
Qualquer chi-cha-pim
Doutor ele quer ser

Que futuro me resta a arbitrar?
Dia 10 de Maio eu vou decidir
Mais uma vez não vão enganar-me
O meu orgulho não vai permitir

Alguns amigos vão permanecer
Outros guia de marcha vão levar
Alguns pretendo conservar
Outros talvez nunca mais ver

Ser árbitro não é uma facilidade
Ter que em momentos decidir
Provocar desgostos e felicidade
Ver inimigos surgir

Há um caminho íngreme a percorrer
Objectivos a atingir
Uns muito vão correr
A meio do caminho vão sair

Será que é mundo cabrão?
Por o mal dos outros se luta
Mas fica na recordação
A desgraça que aos outros se imputa

Mexe, remexe, e toca a mexer
Com as duas mãos se puder ser
Há-de ser o melhor quem eu me apetecer
Eu é que mando e assim vou fazer

Trocas e baldrocas há a registar
Assim Portugal vai continuar
Será que o mal é local?
Portugal é assim no geral!

Canções bonitas me tocam
Falam, falam, falam
Só à 1ª me enganam
Do pouco que fazem não me encantam

Porquê não havemos de mudar?
Porra do sistema a vigorar
Apito Dourado p’arquivar
Esta merda não há-de mudar

Assim vai a arbitragem
Com a peneira não hei-de o sol tapar
Isto sempre foi uma ladroagem
Padrinhos e padrinhagem a vigorar

Sempre assim há-de ser?
Nunca há-de mudar?
As pessoas tem que perceber
Não há vontade de que está a mandar

Leis e mais leis para estudar
Um advogado pareço
Mas de tempo para analisar
Disso eu não mereço

Em segundos há que decidir
Penalties para assinalar
Penalties por marcar
Vai acontecer já a seguir

Cartões foram feitos para mostrar
Não os convém dar
Eu cá não dou nenhum
Choviam pedidos, armava-se um zum-zum

Treinar, estudar e progredir
É o lema capital para seguir
Seguir vivendo na ilusão
Que o melhor é campeão

Há certas normas regulamentadas
Quem não cumpre leva com a ripa
Não convém dar más passadas
Pois no fim é feito numa tripa

Descidas e subidas
Em plenário são discutidas
“Sobe o meu e sobe o teu”
O sistema no apogeu!

Beja do interior é
Que maldade nos calhou
Sempre a levar pontapé
Raio de maldição, quem a lançou?

Alentejo, tá de passagem
Caminho entre algarve e capital
Nem no raio da arbitragem
Portugal deixa de ser Portugal

“Pelo justo paga o pecador”
Justiça é a palavra mestra
O Chefe decide sem grande alvor
Quem interessa e quem não presta

Quem caminho vamos levar
Desacreditação há-de continuar
Quem manda mete água
Que se fode fica com mágoa

Decidindo a torto e a direito
Intenções a manobrar
Tá tudo feito, tá tudo feito
Manda quem pode mandar

Tristezas vamos soltando
Verso a verso vão saindo
Recordações vão ficando
O sorriso lá vai saindo

Não me esqueço quem me traiu
Esses pouco valor têm
Palmadinhas nas costas e lá saiu
Aquilo que todos vêem

Não admito compadrios
Nem calculismos ou mentiras
Prefiro que sejam frios
Enterras-te quando juras

Qual é o melhor modo de analisar?
Isenção por força tem que existir
Imparcialidade coisa a rarear
Mentir e toca a banda a seguir

Não se olham a meios
Para atingir os fins
São uns feios
Não têm tins-tins

Quem não é recto que saia
Quem for marreco abandone
Arbitragem não é a vila faia
Não há banda nem trombone

Doutra coisa me apetece falar
O sono já está bater
Raio de sina, 1 terço da vida a hibernar
Quem me dera menos ter que ser

Aos 90 anos chegarei?
Que terei para contar?
Um velho chato eu serei.
Os meus bisnetos hão-de se orgulhar

Cara metade a encontrar
Tarefa nada simples de se fazer
És solteira? Vem-me conhecer
Quem sabe não nos podemos acertar

Amanhã há muito que fazer
É um lema com tradição
Nada quero comprometer
Na vida há que ser campeão

Umas quadras hoje eu fiz
Como poeta sou petiz
Não sabia este jeito ter
Inda há muito p’aprender

Descansado vou dormir
Amanhã outro dia pa enfrentar
Até o sol escurecer
Muitas emoções há pa sentir

Última quadra que hoje faço
Mais eu já não me maço
Ninguém vai ler
Sempre eu as vou ter!

Dinis Gorjão - 2005

Pensamentos 7

Dedicámo-nos a pensar no que é a vida, e qual seria o seu modelo mais perfeito.
Realmente acabámos por chegar a algumas conclusões extremamente interessantes...
Como por exemplo: A coisa mais injusta na vida é a maneira como ela acaba. A nossa existência deveria justamente começar pela morte. Os primeiros anos seriam passados num lar de terceira idade, até sermos expulsos por sermos novos de mais.
Alguém nos oferecia um relógio de ouro e um Ferrari e íamos trabalhar durante quarenta anos, até sermos suficientemente novos para nos reformarmos.
Então desatavamos a experimentar drogas leves, alcool e muito sexo até ficarmos miudos. Nessa altura poderiamos comecar a brincar todo o dia e a gozar o facto de não termos qualquer responsabilidade.
Finalmente, chegados a bebés, voltavamos para o conforto da barriga da mãe, gozavamos um magnífico banho de imersão durante nove meses e acabavamos com um orgasmo!
Charles Chaplin

Porque a vida não é nada se não escutarmos o coração

Tantas são as vezes em que olho para trás
E penso no sou e no que já fui...
Tantas são as vezes em que me escuto e no silêncio me pergunto:
Afinal quem sou?
Menina rebelde, impulsiva que leva a vida sempre a rir
Não guardo rancores, nem desamores...
mas não esqueço quem me quis trair
Tenho na bagagem algumas ilusões
Puros fantasmas escondidos nas minhas emoções
Vivo consoante as regras do meu coração
E pinto a vida sempre com muita paixão
Adoro a lua, as estrelas e o mar
E é para eles que corro quando quero chorar
Idealista, persigo os sonhos sem medo de lutar
Respeito cada dia que nasce
Porque a cada novo dia a minha esperança num mundo melhor renasce
E amo... amo sempre com loucura e paixão
Porque a vida não é nada se não escutarmos o coração!
Desconheço o autor

Pensamentos 6

Amigos são anjos que nos deixam em pé quando as nossas asas tem problemas e não se lembram de como voar.
Desconheço o autor

Pensamentos 5

Hoje queria tanto prometer-te os impossíveis todos e alcançá-los num suspiro fundo para os entregar na boca doce de um beijo.
Jorge Barnabé

Cismar

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca

Pensamentos 4

Olhar para a frente sem saber o que vai ser de nós.
Sentir-se transportado para a frente e depois para trás, ficar tonto, sem ter mais no que pensar.
Levantar, andar, voltar e depois parar num mesmo sítio, sempre diferente.
Desistir, recomeçar, deixar cair, agarrar por momentos e depois abandonar.
Sentir-se feliz, absolutamente feliz e logo depois desesperar, sem esperança alguma de voltar a acreditar, e depois voltar a acreditar e sentir a felicidade, aos poucos a voltar.
Tudo isto à volta de um amor, por causa de amor, tudo isto e muito mais, meu amor, que te tenho de esconder.
Senão dizia-te.
Desconheço o autor

Pensamentos 3

O que é a vida sem amor senão uma existência vazia e adiada, estéril e sem sentido?
Margarida Rebelo Pinto

Eu Sou Quem Sou.

Eu Sou Quem Sou.
Eu não sou quem gostaria de ser.
Não sou o que deveria ser.
Não sou o que a minha mãe gostaria que eu fosse.
Nem sequer sou o que fui.
Eu sou quem sou.

Tu não és quem és
tu não és quem eu preciso que sejas
ti não és o que foste
tu não és como a mim me convém
tu não és como qu quero,
tu és como és.
Aceitar isso e
respeitar-te é não te pedir que mudes.
Jorge Bucay

Pensamentos 2

"Acredito no amor, aquele amor, o único que deve andar em outros papéis que não estes, mas que encontrarei, ou me descobrirá um dia, num passeio à mata.
E chama-me infantilmente romântica se quiseres, mas esse amor dedicar-se-à a desmachar tudo o que em mim sofre e a restituir tudo o que me foi roubado.
Far-me-à sentir merecedor de todo o mundo não só pelas minhas virtudes, mas também ( e quem sabe principalmente) pelas minhas imperfeições"
Desconheço o autor

Pensamentos 1

Puculei di tas puculei di fenti,
vilei ao cuntaliu, sacudi o tufoni e num achei voce.
Fiquei tisti e penchei: ondi galdei?
Lembei
Galdei você no meu colação. :)

Histórias de uns Beijos

Ouvia gabar os beijos,
Dizer deles tanto bem,
Que me nasceram desejos
De provar alguns também.

Esta fruta não é rara,
Mas nem toda tem valor,
A melhor é muito cara
E a barata é sem sabor.

Colhi-os dos mais mimosos,
Provei três ; mas, por meu mal,
Ao princípio saborosos,
Amargaram-me afinal.

Um colhi eu de uma bela
Que era Rosa, sem ser flor,
Se tinha espinhos como ela,
Dela também tinha a cor.

Vi-a a dormir e furtei-lhe
Um beijo, que a acordou,
Eu gostei, porém causei-lhe
Tal susto que desmaiou.

Logo que a vi sem sentidos
Fugi sem outro lhe dar,
Pois beijos sem ser pedidos
Não são coisas pra brincar.

Porém deste beijo ainda
Pouco tive que dizer,
Pois a tal rosa... era linda
E tornou a reviver.

Outra vez, duma morena,
Olhos azuis, cor do céu,
Corpo 'sbelto, mão pequena,
Um beijo me apeteceu.

Pedi-lho, e então por bom modos,
Pedi-lho do coração
.Zombou dos meus rogos todos
E respondeu-me: que nao.

Zombei, como ela zombava
E um beijo, à força lhe dei;
Mas... bem dado ainda não estava
E c'um bofetão o paguei.

Custou-me caro o desejo,
Que mui caro ela o vendeu.
Pagar por tal preço um beijo!
Assim não os quero eu.

Este mais do que o primeiro,
Me deixou fraca impressão;
Quis provar inda um terceiro,
Para não jurar em vão.

Mas não quis fruta roubada,
Que mal com ela me dei
Uma dama delicada
Ofereceu-ma... eu aceitei.

Ai que boa fruta era !
Estava mesmo a cobiçar.
Passar a vida quisera,
Tal fruta a saborear.

Mas no meio da colheita...
Da fruta o dono apareceu;
Zelosos olhos me deita:
Se zelava o que era seu!

Vendo o caso mal seguro
Eu logo ali lhe jurei
Restituir até com juro
A fruta que lhe tirei.

E acaso não discordasse,
Não me parecia mal
Que a ele os juros pagasse,
E à senhora... o capital,

Esta sensata proposta
Em fúrias o arrebatou,
E, por única resposta,
Pra luta se preparou...

Oiço ainda gabar os beijos,
Dizer deles muito bem,
Mas findaram-me os desejos,
Já sei o sabor que têm.
Júlio Diniz 1859

Não devia ter-te deixado partir.

Quando decidimos parar de tentar pareceu-me a coisa certa a fazer.
Já não éramos os mesmos. Os dias já passavam bem sem a tua presença.
Já não me ligavas de madrugada para me dar um beijo e me fazer rir. Eu já não te mostrava o céu e o mundo.
Pareceu-me.
Pareceu-nos.
Pensámos que não era justo continuar por hábito.
Pensámos ser hábito, já não amor. Pensámos ser necessidade, já não paixão.
Pareceu-nos errado prendermo-nos a algo que já não encontrávamos.
Era a coisa certa a fazer.
E eu nunca me arrependi tanto.

Hoje vejo como estava enganado.
E não podia estar mais arrependido. De te ter deixado ir, assim.
É como se te tivesse mostrado a porta de saída.
E tu saíste.
E quando partiste despedaçaste-me.
Levaste contigo partes de mim que me fazem falta para poder respirar.

Descobri que o que nos fazia falta ainda lá estava.
Que era só preciso um empurrãozinho para nos darmos conta.
Será que deste conta? Depois de nos termos empurrado para longe um do outro…
Será que também te arrependeste?
Será que viste como eu o quão errados estávamos?
Será que viste que afinal ainda somos os mesmos?
Que só nos tínhamos esquecido por um bocado?

Não sei se reparaste.
Não voltaste para me dizer.

Tentei esquecer-te. Passar à frente.
Tentei admitir que pudesses mesmo pensar que tinhas tomado a decisão certa. Tentei.
Não consegui. Fiquei só.
Depois procurei-te.
Não te encontrava.
Procurei-te em todas as mulheres.
Um pouco de ti, nem que fosse.
Um mexer no cabelo. Um olhar. Um toque. Um sorriso.
Difícil de igualar.
Eras tu com quem eu estava quando estava com elas.

Será que é tarde?
Será que ainda pensas em mim?
Será que alguma vez paraste de pensar?

Disseste-me uma vez que havia muitos grãos de areia numa praia.
Vou procurar-te em cada praia onde for.

"Quis-te tanto que gostei de mim"

Vi-te na rua e quis-te.
Não que nunca te tivesse visto; não que não te quisesse antes; não que te visse de forma diferente.
Apenas ao ver-te, quis-te. Assim, simples. Um querer mais que bem-querer.
Inexplicável, mas simples.

Quis-te; o meu querer quis o teu querer, e eu quis que me quisesses assim.

Olhei-te, quis-te; foi natural, foi básico, foi evidente.
Quis procurar em ti até te encontrar, tu que eu queria tanto, no meio de roupas e conversas e noites sem dormir.

Quis-te tanto que senti falta de ti, mesmo estando ao teu lado.

Quis-te, pois que nada mais quero; quando te quero assim não há nada mais, não há espaço para querer além de nós.