quinta-feira, 14 de maio de 2009

signo de Caranguejo ... o meu!


Nascidos entre 22 de Junho e 23 de Julho
Regidos pela Lua
Elemento Água

Lá vamos nós falar sobre estes seres sensíveis e sonhadores que por vezes têm uma enorme dificuldade em discernir entre a fantasia e a realidade. Aliás talvez seja mesmo esta a sua maior dificuldade: separar o sonho da realidade.
Às vezes prendem-se tanto aos sonhos que esquecem de viver a realidade. Com certeza convém encarar este desafio de viver a verdade e não escapar-se para o mundo dos sonhos que afinal são só sonhos.
O seu humor pode mudar conforme as fases da lua. São mesmo muito mutáveis mas ao contrário dos geminianos que mudam da água para o vinho, os nativos de caranguejo mudam de fase como a lua mas continuam a ser Lua.
Têm uma tendênciazinha para a desgraça, pois são muito pessimistas e adoram sofrer por antecipação. As coisas nem aconteceram e eles já estão a sofrer... e sofrem tanto, tanto ... e por coisas que até nem chegam a acontecer no quadro negro que pintam. Costumo dizer que os caranguejos pagam para se chatearem e se preocuparem.
Rabugentos e resmungões... adoram reclamar! Mas fique calmo por que nem se dão ao trabalho de se fazerem entender, portanto não faça caso e deixe o seu caranguejo de estimação resmungar à vontade... ele só está a praticar um dos seus desportos favoritos – reclamações à metro.
São excelentes confessores pois para eles um segredo é sagrado. Também não vale à pena tentar esconder-lhes qualquer coisa pois têm a maior habilidade em descobrir os mais profundos segredos.
Os nativos de caranguejo funcionam como verdadeiras esponjas em relação ao meio que os rodeia. Absorvem tudo e retribuem as emoções como verdadeiros espelhos. Devem aprender a resguardarem-se pois facilmente captam a energia e a “onda” de quem está à sua volta e muitas vezes estão embaixo não por questões próprias mas pelo que captaram dos outros. E o pior é que deixam-se levar naquela frequência e alimentam o seu lado masoquista cultivando o sofrimento.
São agarradíssimos às coisas e às pessoas. Não abrem mão de nada . Seja um namorado antigo ou um par de chinelos velhos, não os largam mesmo que o namorado lhe faça a vida negra e que o chinelo já esteja furado. Mudar para eles é uma tortura e um grande desafio do qual fogem o mais que podem.
O caranguejo normalmente não mente e quando o faz é mais para fantasiar a realidade do que em proveito próprio.
O homem de caranguejo tem uma enorme fixação na mãe e tem muita dificuldade em amadurecer.
No entanto, podemos dizer que são dos homens que melhor entendem as mulheres e a sua natureza. Parece que as adivinham.
A sua tendência para paternalizar ou melhor maternalizar as relações é muito grande. Conseguem ser umas grandes “mãezonas” dos amigos, das amadas e dos filhos.
Não espere que aquele caranguejo especial consiga distanciar-se das coisas. Ele tem uma enorme dificuldade em analisar um facto em que se encontre envolvido de fora. Também não hesitarão em utilizar uma boa dose de chantagem emocional.
A grande missão ou dasafio para os nativos de caranguejo será o de não serem escravos da sua afectividade.
No mais, sejam caranguejos do tipo santola, sapateira ou siri meus amigos vivam o presente real, não pintem o futuro tão negro e façam o favor de serem felizes.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A nova moda!

O novo milénio foi trazendo paulatinamente novos hábitos, quebrando as anteriores tradições e pouco a pouco as novas situações tornaram-se comuns, entrando na cabeça das pessoas e deixam de causar qualquer celeuma.
O caso que aqui quero relatar é a situação do casamento moderno!
Antigamente as pessoas casavam por amor, casavam para a vida, casavam para ter filhos e ser feliz para sempre, o plano era esse, estão a ver?
Hoje em dia é diferente.
Casa-se porque sim, porque a pressão social que um solteiro/a enfrente é deveras intensa e mais vale estar a juntar os trapinhos do que ter sempre a mesma pergunta a melgar "então quando é que arranjas alguém e te casas?".
Para além desta razão há ainda outra mais forte!
Casar é o melhor plano para pagar a casa e o carro a ... meias!
A partir do momento que se casa juntando-se os 2 ordenados passa-se a ter mais possibilidades de singrar em termos de futilidades... tem-se mais capital, gasta-se mais.
Enfim o que é mais difícil de acreditar é que já ouvi isto da boca de várias amigos ou amigas...
Já enterraram o amor e toda a sua nobreza.

domingo, 5 de abril de 2009

Curiosidades

  • O Papa mais jovem tinha 11 anos.
  • 13 segundos. O recorde de tempo de voo de uma galinha.
  • O transatlântico Rainha Elizabeth II avança apenas 4 cm para cada litro de gasóleo queimado

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Fazer o próprio

Somos nós, com os nossos passos, que vamos fazendo o nosso próprio caminho. Há quem corra demasiado depressa e perca a alma no trajecto, há quem mude de ideias e arrisque um atalho, há quem não saiba escolher a melhor direcção quando chega a uma encruzilhada, há quem deixe pedras pelo caminho para não se perder, se precisar de voltar para trás.Não sei que espécie de caminhante sou, para onde vou, não sei. Nem sei para onde vais. Nem tu sabes. Pode ser que um dia acordes com uma luz nova, uma força desconhecida que te vai trazer até mim… Sei que há uma força estranha que me faz correr para ti, embora nunca, em nenhuma circunstancia, corra atrás de ti, porque não posso, não me é permitido interferir no teu destino e mudar o curso da tua vida. Isso, terás que ser tu a fazê-lo, por ti e para ti, se assim o entenderes. Será que sentes a mesma força?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Foi de rompante

Há momentos bonitos
na nossa vida
momentos diferentes
que nos surgem
sem pensar...
num piscar de olhos
e quanto menos esperamos!

Temos fases em que
decidimos que queremos
estar só...
sem preocupações
sem dar nem receber
sem ninguém
livre como um pássaro.

E é aí que o destino...
nos trai!
Caprichosamente coloca-nos
alguém no nosso caminho
que nos faz desviar
da rota pretendida
e ainda bem!

E foi assim que o meu plano
meticulosamente traçado
ruiu...
Ficou esquecido e sepultado.

E aquele alegre sorrisinho
que conheci e me encantou
que trato por meu xuxuzinho
entrou e disse "aqui estou"
Dinis Gorjão

Alguém me ouviu

Música da Mariza e Boss AC

Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz…
Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
Enão sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Sou prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar

Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Modo de ser e de amar

Seja na lua
ou cá em baixo
entre os homens,
tanto faz o tempo e o lugar,
o que conto é o modo de ser e de amar.
Margarida Rebelo Pinto

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Praia‏

Foi num dia em que a areia
Escaldava e o Mar a arrefecia
Que decidi percorrer toda a Praia
Era tão imensa que no horizonte vivia
A outra extremidade...
Decidida e consciente pelo
Que haveria de passar assim fui...
A Praia estava recheada de pessoas
Pessoas essas que no rosto
Permanecia alegria, humor e descanso.
Durante a dita caminhada, reparei
Que havia pessoas de todos os cantos
Do globo, de todas as cores e nacionalidades.
Em simultâneo reparava no Mar,
Sereno e calmo, governava
A cor esmeralda que pintara o fundo...
No céu, totalmente azul, pairavam
As gaivotas, procurando impacientemente
Um peixe perdido para saciarem a sua fome...
Para trás já ia umas longas horas
E em diante avistara bem perto
O fim da imensa infinidade da Praia,
Cansada, um pouco, calor, imenso,
Por isso decidi-me me refrescar na água,
Permaneci um pouco, para matar o calor
Que se fazia sentir...
Ao sair da água embrulhei-me no toalhão
E, satisfeita, observava tudo
O que tinha caminhado, até que,
Inesperadamente, observei o impossível,
Limpei meus olhos das goticulas
Que por lá escorregavam e olhei de novo.
O impossível tornara-se realidade
E me perguntei
"Será aquilo um anjo?"
Não... era apenas alguem que me fez crescer
Aquele que me ensinou,
Aquele que eu desejei,
Aquele que eu amei...
Que vou fazer eu, pensei,
Relembrei-me pelo que anteriormente passara
E decidi ignorar-te.
Porquê? Para não renascer a velha
Chama da paixão...
Assim foi, ignorei-te como para mim não
Fosses ninguém, como não te conhecesse...
Peguei nas minhas coisas e recomecei
A caminhada, agora para o ponto de partida,
Através do silencio do meu olhar, te ditei
Palavras carinhosas, e um beijo... de amizade...
Durante todo o caminho, interroguei-me
Vezes sem conta, se tinha escolhido
A melhor maneira, eu pensava sempre que sim
Mas o coração, não partilhava da mesma opinião...
Heloísa Coreixo

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Procurei-me‏

Não sei onde me procurar...
Não me encontro... procuro-me
Onde estou eu?
No céu,na Lua ou no Mundo?
Estou perdida, sem caminho
para voltar...
Alma tão bela, que não me encorajas a seguir,
Dá-me algum sinal.
Quero voltar á terra e ter
Alma no coração.
Quero ser presente.
Quero ser passado.
Quero ser futuro.
Mas...não sei onde está o presente.
O passado morreu.
E o futuro?
Está viajando nas veias do
Pensamento.
Sonhar é uma ilusão...
mas alimenta.
Entristece...angustia... mas
Alimenta-nos.
A vida é tão curta...
Nunca digas adeus
Aos sonhos que te surgem
No pensamento.
Pensamento?!
Mas... afinal
Onde se alojou o sonho?
no pensamento ou no coração?
Não encontro explicação...
Contudo, há solução!
Para quê me encontrar,
Se viver não tem sentido?
Para quê viver,
Se não há mais nada para encontrar?
Como posso encontrar os outros
Se nem eu própria me encontro?
Procurei-me em todo lado,
Procurei-me em todos,
Mas só me encontrei em mim mesma!
Viver a vida sem alguém do lado
É como uma fogueira sem lenha.
Perdemos o senso de viver.
Perdemos o sentido de viver,
Pois não há maneira de acalmar o coração.
Viver na terra só com o corpo
Não tem qualquer sentido.
Por isso alma...vai-te encontrando,
Porque a vida passa
E eu não quero perdê-la!
Heloísa Coreixo

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ser

Ser o que realmente sou
ou ser o que realmente não sou,
mas ser o que sou é excluir
aquilo que não sou.
Então, como poderei saber que
sou aquilo que não sou se
poderei sê-lo.
Só sei que nada sou e serei.
Heloísa Coreixo

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pensamentos 14

Desde sempre me ensinaram que a esperança é a última a morrer... é pena!
Vezes há em que seria melhor que ela morresse logo no início e nos poupasse do martírio da espera de algo que não acontecerá jamais. Mas nós ainda acreditamos e, enquanto o fazemos, vivemos agarrados a uma esperança que nos impede de seguir o nosso caminho, que nos impede de prosseguir a nossa vida.
Então esperamos... esperamos na esperança deter o que desejamos... de ter o que já tivemos! E, enquanto esperamos, sofremos... perdemos oportunidades... deixamos de viver...
Desde sempre me ensinaram a ter esperança, mas ninguém me ensinou o que fazer para não ter esperança nenhuma... Não me recordo de nenhum momento da minha vida em que tenha sido feliz por apenas ter esperança... simplesmente por a ter... acho que isso não faz, por si só, nenhum ser humano feliz. Pelo contrário... enquanto a têm muitos sofrem e sofrem muito ao longo de tamanha espera.
Nestes últimos dias tenho tentado alimentar a esperança de que um dia consiga não ter esperança alguma... talvez não consiga... (porque) tenho esperança!
Pois é... o sofrimento, por muito que não queiramos, faz parte da vida de cada uma das pessoas. Muitos falam de um sofrimento interno, continuado, profundo a que chamam de angústia existencial. Parece que por percebermos que existimos e que a nossa existência é finita sofremos por não encontramos razões claras e concretas para a existência humana... deve ser a isto que se chama de dúvidas existências.
Afinal existimos porquê e para quê? Será que é para descobrirmos que existimos e sofrermos com isso? Não faço ideia! Apenas percebo que sofremos... e que acabamos por sofrer mais quando agimos pensando sobre os motivos que nos fazem sofrer... nesse caso, deduzo, que a única forma de ultrapassar o sofrimento é aceitando-o ... deixando de o considerar um estado anormal da nossa vivência, mas antes algo que dela faz parte... e, se o aceito, como fazendo parte da vida então não faz assim tanto sentido pensar nas suas causas... tanto mais que saber a causa de um problema não é sinónimo da sua resolução... e não pensando recorrentemente nas suas causas, acabamos por sofrer menos!... sofremos porque pensamos... e nesse caso devemos ser inteligentes e pensar menos! Isso mesmo... pouco inteligentes são aqueles que pensam de mais... porque se mais pensam... mais sofrem!
Achavam que ter o cérebro mais desenvolvido do mundo animal nos trazia só benefícios? Nesta questão eu penso... quer dizer... não penso nada...
Heloísa Coreixo

sábado, 31 de janeiro de 2009

Fazer os outros felizes

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.
Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia apassar: Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram.
Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem...
Para reflectir. De autor desconhecido

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nada muda

Sento-me, penso e apercebo-me
De todas as conversas
De todos os momentos
Que passei a teu lado

Bons,maus,úteis ou inúteis
Todos se misturam
no mais fútil dos pensamentos
Num traço de tristeza que se acentua

Levanto-me, acordo
Mas o sentimento continua
Cada vez maior, mais potente
Num acto claro de ironia

Quero me levantar, acordar novamente
Seguir em frente, voltar a amar
Mas, infelizmente, nada muda
Tudo continua a passar ao lado da minha vida
Heloísa Coreixo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Liberdade

Sinto uma tristeza
Sem fim
Dentro de mim
O meu coração
Bate como um relógio
Sinto um califrio
Dentro de meu ser
Esta dor é tão forte
Que quase me derroba
A minha mente
Desapareceu no infinito
Não sei explicar
Este vazio dentro
Do meu corpo
Como continuar
Gostava de ser uma semente
Para ser transportada pelo vento
Gostava de soltar a minha mente
E deixa-la á deriva por um momento
Sem parte definida
Sem local de chegada
Sem destino predemitado
Queria voar, voar, voar...
Queria sentir, sentir...
Queria apanhar...
Essa liberdade de viver
Ser livre no tempo
Soltar todo o meu ser
Libertar-me das amarras da vida
Ser livre de voar pelo mundo
Ai, como eu queria ser assim
Poder dar fim
A esta dor que queima dentro de mim
Heloísa Coreixo

sábado, 24 de janeiro de 2009

Travessuras sim, mas sem exagero

TRAVESSURAS SIM! MAS SEM EXAGERO!

Vou contar-vos uma história
Que passou pela minha memória
Era eu pequenina...
(Talvez da vossa idade)
Sim, agora já sou velhinha
O que não é nenhuma infelicidade!

Ia eu a dizer
Que quando era pequenina
O que me dava alegria
(Fosse de noite ou de dia)
Era fazer uma travessura
O que me valeu
Uma ou outra descompostura...!

Como estava a contar
Era eu da vossa idade
Não havia dificuldade
Se dava para a brincadeira
Pois, o que é a vida
Se não pudermos dar umas risadas?

E era disso que eu queria falar
Aos meus queridos netinhos
Que me estão a aturar!

É que quando eu era pequenina
Não havia dia
Em que não pregasse uma partida
Fosse ao pai, à mãe ou aos meus quinze irmãos!

E numa dessas alturas
Quando estava com ela fisgada,
(Tinha levado uma descompostura de metro e meio
Há uma semana atrás)
Mal saí do meu castigo
Estava tão irrequieta
Pois imaginem só
O que é estar uma semana
Sem poder fazer maldades!

Ora, como dizia
Não aguentava mais
E ao sair de casa
Vi o meu irmão mais novo
Que ia passear as ovelhas
Sim, como vocês sabem,
Tínhamos uma grande e lindíssima quinta
Para os lados do Mondego!

Contava eu,
Que vi a pobre criança
(A minha próxima vítima)
E tive que arranjar um plano!

Fui falar com o pequeno:
“Queres companhia?
Já não estou de castigo!”
A miniatura de gente
Aceitou muito contente
Mal sabia o que o esperava!

Fomos alegres pelo campo fora
Ora à conversa, ora cantarolando
E com ele fui brincando
Sem que desconfiasse
Que seria nas minhas mãos
Uma outra vítima
Pois pensava ele
Que depois de tal castigo
Era certo que me emendasse!

Então,
Quando chegámos a um sítio com ervinhas
Dissemos às ovelhinhas
Que ali deveriam comer!
Mas qual não foi o espanto do pequeno
Quando eu lhe disse
Que igualmente devia fazer!

Com um sorriso nos lábios
Olhou para mim dizendo:
“Sei que é outra brincadeira
Mas nessa não vou cair,
Pois se a mãe sonha com isto
Não voltarás a sorrir!”

Surgia então uma ameaça!
Parecia que a criança
Tinha aprendido comigo!
Mas seria então possível
Se era ele a vítima
E eu a má da fita?

Foi a partir daí
Que eu decidi
Nunca mais pregar partidas!
Aprendi uma lição:
Nunca devemos ser tão maus
Ao ponto de parecer
Que não temos coração!

Assim,
Ao fim do dia
Voltámos para casa.
Ninguém saberia
O que se tinha passado
Foi o combinado!

Por isso,
Meus netinhos
É preciso que percebam
Que não é bom ser-se mau
(Se é que me faço entender!)
Vamos tentar ser bonzinhos
E assim seremos mais felizes
Do que com as travessuras
Que, lá por terem esse nome,
Também são saudáveis,
Quando são feitas com peso e medida!

E com esta história
Quero que me prometam:
TRAVESSURAS, SIM!
MAS SEM EXAGERO!
Desconheço o autor

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A graça e a ilusão

Lábios que não beijei
Agora lhes beijo,
e agradeço a sobrevivência do sonho,
a sobrevivência dos sons, dos ruídos.

A hipótese de ser libidinoso e bom.
Risos mordidos, escrachados...
O escândalo na rua, na calçada,
atrás do poste, do muro pichado nas bocas,
com bocas coladas.
Lábios que não beijei
Agora lhes beijo, e agradeço o guia, mil vezes,
refeito pelas mãos velozes.
Dedos doidos, inquietos, exploradores;
A permanente expedição pela carne.
A idéia de ferro e fogoem nossos tecidos desalinhados.
A linha rompida, rasgada...
A invasão do privado.
Os músculos impacientes,
a eminente explosão dos botões
e a incontinência dos zíperes,
na busca do mais fundo...
E vem à tona bocas
de pernas para o ar em levitação.
Lábios que não beijei
Agora lhes beijo, e agradeço o aroma de
maçã, cereja,
outra fruta...
Gosto de amor condensado, intenso.
A cisma de apalpar uma escultura,
bolinar...
Sugar língua clandestina
E, por fim, desvendar uma identidade pelo tato.
Lábios que não beijei
Agora lhes beijo, e agradeço a graça e a ilusão de bocas
que se bifurcam como nos jardins de Alá,
e do além.
A falta da húmida saliva,bactérias,
o atordoado gesto sumário,
a extensão do que não houve...
O estado grave, o coma e a cama que não chegamos.
Lábios que não beijei
Beijo-lhes agora, de joelhos,
e agradeço a distância sensata que nos manteve.
O que fomos depois
E nossos lábios desunidos jamais souberam
O que somos,
e a certeza de quilômetros rodados em outras bocas.
O beijo partido...
O que me coube nos lábios,
a cama que poderia ter sido,
poderia ter dado,
poderia ser, mais não foi.
E não houve...E nem foi ouvido...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Teu beijo

Teu beijo é doce,
charmoso,
gostoso,
ternamente cheio de amor.
Inesquecível,
eu sei!
Dele tenho lembrança,
dele tenho saudade,
dele tenho o sabor
para todos os minutos e horas da vida,
em toda a eternidade,
no tempo e no contratempo.
Teu beijo
é terno e eterno,
sincero,
suave,
leal,
doce,
charmoso,
gostoso,
um beijo de amor !
Wanderlino Arruda®

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
Manuel Alegre

domingo, 18 de janeiro de 2009

Beijos

Beijo na face
Pede-se e dá-se: Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo: Vá!
Um beijo é culpa
Que se desculpa: Dá!
A borboleta
Beija a violeta
Vá!
Um beijo é graça
Que a mais não passa: Dá?
Teme que a tente?
É inocente...Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,Dê!
Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor, Paz a meu seio!
Saciar-me veio, Amor!
Saciar-me? Louco...
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!
Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje
Amor!
Guardo segredo,
Não tenhas medo,
Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
Dois...
Oh! dois?
Piedade!
Coisas tão boas...Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!
Três é a conta
Certinha e justa...Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
Três!
Três, sim: não cuides
Que te desgraças: Vês?
Três são as Graças,
Três as virtudes;
Três.
As folhas santas
Que o lírio fecha,Vês?
E não o deixam
Manchar,
são... quantas?
Três!
João de Deus

sábado, 17 de janeiro de 2009

Beijos

Beijos passeando pelo corpo
São beijos de desejo,
Começam e seguem,
sem pejo.

Beijos de amor,
Daqueles que dão calor...
E depois... Aquele torpor...

Beijos enamorados...
Beijos demorados...
Beijos... Bem beijados

Beijo na mão...
Doce sensação...
Suave emoção...

Beijos do calor da paixão...
Despertam toda nossa emoção,
São aqueles que dão tesão...
Desconheço o autor

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

o mar‏

É em ti, nos momentos desagradáveis
Onde afogo as minhas mágoas,
Onde deposito as minhas lágrimas,
Onde guardo segredos invejáveis.

És tu, aquele amigo disponível
Para ouvir os meus desabafos...
Ditas os teus experientes conselhos
No silencio do teu ondular incrivel.

Na tua enorme profundeza
Se esconde os mais belos mistérios
De toda a Natureza.

Navegar nos teus vastos impérios
Todo o meu corpo agoniza
E torna-se num desejo sem critérios
Heloísa Coreixo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Rimance

Meia-noite, meia-noite,
Da velha torre caía,
Em seu camarim real
A bela Ausenda cosia.

Tela que estava cosendo
De fina prata parecia;
Junto dela, sua mãe
Em cama de ouro dormia...

Longo mantinho de lustro
Seu esbelto corpo envolvia,
Anel que tinha no dedo
Frechas de cor despedia.

Passos na escada se ouviram,
Passos de alguém que subia,
Ouvindo tal, a Princesa
A abrir a porta corria.

Ouvindo o gemer da porta,
A mãe os olhos abria,
Abriu-os mas não viu nada,
Que o candil já se morria.

— Quem é que anda abrindo portas,
Filha, aqui ao pé de mim?
— Senhora mãe, é o vento
Que abre as portas do jardim.
Segura com tal resposta,
Logo a mãe adormecia;
Vendo-a dormir, Dona Ausenda
À porta se dirigia.
A um gesto da bela Ausenda,
Um cavaleiro aparecia,
De cochonilha mimosa
Era o gibão que vestia.
Em belo cinto bordado
Punhal de prata trazia;
Nos braços do cavaleiro
Dona Ausenda se metia.
Ao barulho dos abraços,
A mãe os olhos abria,
Abriu-os mas não viu nada,
Que o candil já se morria.
— Quem é que está aos abraços,
Filha, aqui ao pé de mim?
— Senhora mãe, são as árvores
Que se abraçam no jardim.
Segura com tal resposta
,Logo a mãe adormecia;
Vendo-a a dormir, Dona Ausenda
Ao seu amado sorria,
Sorria e nos braços dele,
Nos seus braços se metia;
Forte corrente de beijos
Aquelas bocas prendia.
Ao barulho desses beijos,
A mãe os olhos abria,
Abriu-os mas não viu nada,
Que o candil já se morria.
— Quem é que está dando beijos,
Filha, aqui ao pé de mim?
— Não são beijos, são as fontes,
São as fontes do jardim.
Segura com tal resposta,
Logo a mãe adormecia...
Vendo-a a dormir, Dona Ausenda
Ao seu amado sorria,
Sorria e nos braços dele,
Nos seus braços se metia;
Era de seda lavrada
O corpete que a cingia.
Contra o peito, o cavaleiro
Contra o peito a comprimia,
Com tanta força que a seda
Do seu corpete rangia,
Com esse ranger de seda,
A mãe os olhos abria,
Abriu-os mas não viu nada,
Que o candil já se morria.
— Quem está machucando sedas,
Filha, aqui ao pé de mim?
— É o vento que arrasta folhas,
Folhas secas no jardim.
Segura com tal resposta,
Logo a mãe adormecia;
Vendo-a dormir, Dona Ausenda
Ao seu amado sorria,
Sorria e nos braços dele,
Nos seus braços se metia,
E aos beijos do seu amado
Seus lindos seios abria.
O cavaleiro os beijava
De tal arte que par'cia
Que os não estava beijando,
Antes que neles mordia.
Com esse morder de seios,
A mãe os olhos abria
Abriu-os mas não viu nada,
Que o candil já se morria.
— Quem anda mordendo seios,
Filha, aqui ao pé de mim?
— É o jardineiro que morde
Frutas verdes no jardim.
Eugénio de Andrade

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Beija-me

Beija-me!
Beija-me como eu quero
Muito...Muito...Mas
Do teu jeito
Com os lábios do teu amor
Com o néctar adocicado
Pelo sabor do meu céu
Beijo que não sei definir
Direito...
Se é o teu jeito
Que me enlouquece
Que me entontece
Beijo maroto
Safado
Assanhado
Molhado
Espalhado...
Busco senti-lo
De corpo e alma
Mas do jeito que
Me acalma...
Morrendo em minha boca
Qual uva madura
Colhida no pé do desejo
Em cachos deslizantes
Pelo meu corpo suado
Te amando...E beijando
Colhendo...mordendo
Meus lábios primeiro
Que sabe beijar!
Espalhando desejo
Com teus beijos...
E com esse teu jeito
Doído de amar!
Thais Arrighi

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Instantes de quem se está a afogar

Os últimos segundos de quem se está a afogar
são mais ou menos assim:
a surpresa de não conseguir subir à tona
é substituída imediatamente pela realidade cruel
do que está ocorrendo e que não deseja acreditar.

Não, aquilo não está acontecendo com ele.
Alguém virá salvá-lo
e juntos rirão daqueles momentos apavorantes.
Na próxima festa ele já terá assunto
para prender a atenção dos convidados.

Mas, naquele exacto momento,
a única coisa que ele desejaria prender
e não está conseguindo é a respiração.
E o pior é a falta de oxigénio
que já não o deixa raciocinar com calma e lucidez,
porque o desespero trouxe um elemento novo
naquele momento aterrorizante:
a agonia de ter sugado água salgada pelo nariz.

Não é só o gosto estranho mas também o desconforto
de se ter engasgado com aquela água
que já não lhe permite lembrar
de mentalmente fazer uma oração.

As pessoas que ele mais amava
e que apareciam e desapareciam do seu pensamento,
também já são sombras.
A sua visão começa a escurecer.

Nesse exacto momento ele só pensa em salvar o fio de vida
que ainda lhe resta.
Mas está sem forças.
Uma pergunta martela a sua mente:
- “ Por que fui eu abusar do mar? ”.

Começa a entregar-se e só espera por um milagre.
Tenta gritar mas é inútil.
Ninguém pode ouvir sua voz engasgada com água salgada.
Relaxa, sente a derrota.
Assume que vai morrer.
Escuridão total.
Desconheço o autor.
É dos melhores poemas que conheço,
retrata tão fielmente as emoções que quase
sentimos a agonia de estar na àgua em sofrimento.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Morre quem

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo...
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece...
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um remoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tu

Tu
enlouqueces-me
maravilhas-me
atrapalhas-me
apaixonas-me
cegas-me
confundes-me.
Tu inspiras-me.
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu .....
Quero tanto de ti e tão próximo que anseio que fosses o ar,
o chão, as paredes, tudo.
Que tudo o que tocasse fossem os teus braços.
Que tudo o que sentisse
fossem os teus lábios.
Como quando fecho os olhos e tudo o que não vejo és tu.
Como quando não durmo e tudo o que sonho és tu.
Contigo não consigo respirar.
Sem ti não consigo viver.
Quero estar tão dentro de ti que nem a luz do dia exista para mim.
Quero abraçar-te tanto que todo o mundo
colapse e desapareça num pequeno ponto entre os meus braços.
Toca-me com as tuas mãos.
Faz-me desaparecer com a tua pele.
Sufoca-me na tua língua.
Arrasta-me pelo ar com o teu perfume.
Mata-me de vez.
TU se fosses chuva, do céu só cairiam pérolas ...
E até o chão gritaria de prazer.

Maria Teresa Horta

sábado, 10 de janeiro de 2009

Bater do coração

Segurei-te a mão,
estava quente e tremia,
senti que o teu coração batia em união com o meu,
sonhando com os afagos da noite.
E os olhos, nos olhos presos,
derramando ternura, ansiedade,
grávidos de promessas, juravam a eternidade aqui na terra.
Não te quero deixar, nunca,
e se longe o meu corpo estiver,
por via de negro destino,
a memória de ti, cristalina,
na minha mente fica perene
Desconheço o autor

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sonho

Foi naquela noite de inverno,
que contigo sonhei
O meu amor perdido,
aquele por quem eu tanto desesperei
Fiquei a perceber
que o amor não tem sentido
pois por ti tanto lutei
para acabar por te perder.
Onde errei eu nao sei
Mas sei que cada dia sem te ter
Da-me vontade de morrer,
Pois a tua mera visão
Da-me a volta a cabeça
E faz parar o meu coração.
O meu coração ficou destroçado
Pois percebeu que tinha sido enganado
Pela mulher que eu considerava a + bela
Mulher essa
Que nem o Da Vinci reproduziu na tela
Depois disto tudo ainda me vieste culpar
E chegas-te a dizer que eu
Não te sabia amar.
Foi nesse momento
Que fiquei chocada
Pois foi ai que percebi
Que tu nunca me tinhas amado
Se tu me pedisses
Eu para ti voltava
E sabes bem que por ti
Eu tudo mudava
Mas não podia viver nesse sufoco
Pois viver assim
Faria de mim uma louca
Mas mais louca do que eu pelo teu amor
Não pode haver,
pois por ti eu faria tudo
Apenas para sentir o teu calor.
Voltar a ter aquele sentimento
Que com o passar do tempo
Foi caindo em esquecimento.
Com a madrugada a chegar
E eu ainda a sonhar
Com o amor da minha vida
Amor esse que deixou ferida.
Agora que a manha chegou
Terei de me levantar
Para a escola tenho de ir
Para com amigos tambem estar
Mas não sem antes me despedir
Do amor que me fez sonhar.
Heloísa Coreixo

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Pensamento 13

"Se conseguir que as pessoas se surpreendam com elas próprias, será o ideal; essa será a minha luta, que é cada um ter a máxima sublimação do seu rendimento"

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Quando se ama alguém

Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoa.
E se ela não vem ter connosco, nós esperamos.
O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar.
A vida transforma-se numa estação de comboios
e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar.
O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo,
a organizar tudo para que ele seja possível.
É mais fácil esperar do que desistir.
É mais fácil desejar do que esquecer.
É mais fácil sonhar do que perder.
E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver."
Margarida Rebelo Pinto - Diário da tua ausência

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Eu quero voltar

Tu eras aquela
que mesmo já não sendo minha
continuavas a ser
uma paixão platónica.

A notícia que estavas
nos braços de outro
quase me matou de cólera
e trouxe-me à lembrança
a forma como te
deixei escapar entre
os meus dedos.
Burrice minha
orgulho a mais
nitidão a menos
do que seria melhor
para mim
e para ti.

Tu seguiste com
a tua vida
e eu fiquei perdido
lá atrás.
Embrunhado em
lembranças que não
passam com
um abrir e fechar
de mão.

Eu quero voltar.
Sei que é difícil,
mas essa esperança
dar-me-à forças
e fará com que
tudo me parecerá
possível.
Dinis Gorjão - 2004

Pensamento 12

“Há momentos na vida em que se devia calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir”

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Palavras

"Há palavras que nos beijam,
Como se tivessem boca,
Palavras de Amor, de Esperança,
De imenso Amor, de Esperança louca."
Alexandre O'Neill

domingo, 4 de janeiro de 2009

Pensamento 11

"Quero fazer o elogio do amor puro...
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de pratica.
Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa.
Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecologica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "ta bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananoides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. "
Miguel Esteves Cardoso

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pensamentos 10

"Se tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer a verdade, teria ouvido verdades que teimava em dizer brincando."
Li esta frase num daqueles powerpoints que nos entopem o mail, com música bonita e apelando ao coração para nos tornarmos melhor pessoas. Devo dizer que não os vejo todos até ao fim, porque alguns são muito parecidos.
Esta frase no entanto saltou-me à vista, porque tantas são as vezes que a brincar e sem intenção a verdade sai como a areia que nos escapa entre os dedos.

Pensamentos 9

As verdadeiras verdades do amor
Depois de algum tempo, aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mao e acorrentar uma alma. E aprendes que amar nao significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança e começas a aprender que beijos nao sao contratos, presentes, nao sao promessas. E nao importa o quao boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas de perdoa-la por isso. Aprendes que ao falar, podes aliviar dores emocionais. Descobres que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependeras pelo resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescem mesmo a longa distancia. E que o que importa nao e o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, sao tiradas de ti muito depressa; por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a ultima vez que as vemos. Aprendes que a paciencia requer muita pratica. Aprendes que quando estas com raiva tens o direito de ter raiva, mas isso nao te da o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre e suficiente seres perdoado por alguem. Algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu seras, em algum momento, condenado. Aprendes que nao importa em quantos pedaços o teu coraçao foi partido, o mundo nao para para que o concertes, e, finalmente aprendes que o tempo nao e algo que possa voltar para tras. Portanto planta o teu jardim e decora a tua alma, ao inves de esperares que alguem te traga flores e percebes que realmente podes suportar, que realmente es forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que nao se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida, e so nos faz perder o bem que poderiamos conquistar, o medo de tentar...verdade?
Desconheço o autor

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Foi o fim

Julguei que tudo
estava acabado
entre nós.
Colocaste um
ponto final
onde eu pensei
que ainda existiam reticências.

Mataste a minha ilusão
de um amor real
e possível.
Agora olho para trás
e recordo o início
e toda aquela
felicidade transbordante
na nossas faces.

Era ums história bonita
que tinha tudo
mas mesmo tudo
para dar certo,
mas não deu.

Na vida há
oportunidades e momentos
choros e lamentos
fases boas e más.
O nosso cruzamento
nesta encarnação
talvez já tenha passado
e eu perdi
o meu tempo de entrada
como quem perde
um comboio...
que não volta.

Agora tento encontrar
pedaços teus
em todos os traços femininos
mas ninguém é igual a ti
nem nada voltará a ser igual.
Rasgar um tecido
e cozê-lo deixa uma marca,
e tu deixaste a tua.

Apelo ao tempo
que traga
uma nova aragem
uma nova roupagem
e me mude
me transfigure
me abra de novo
ao mundo.

Não será fácil
mas eu acredito
na paixão e no amor
e acredito em mim
voltarei a entregar-me
de forma intensa
e aí
voltarei a viver.
Dinis Gorjão - 2004

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Silêncio de Vidro

Bastou aquele gesto
Da tua mão tocar tão docemente a minha
Pra nascerem raízes
Que me prendem à terra e me alimentam
Nas horas mais vazias.
Bastou aquele olhar
-O teu olhar tão brando, prolongando-se um pouco sobre o meu –
Para iluminar as noites em que a lua se esconde
E a escuridão envolve um mundo sem sentido.
Bastou esse teu jeito de sorrir,
Um sorriso em que vejo despontar a confiança
Na vida não vivida, nas emoções ainda não sentidas,
Nos passos que ressoam noutros passos.
Bastaste tu.
Maria Eugénia Cunhal

Amar é como uma droga

Amar é como uma droga.
No princípio vem a sensação de euforia, de total entrega.
Depois no dia seguinte tu queres mais.
Ainda não te viciaste mas gostaste e achas que podes mantê-la sob controlo.
Pensas durante dois minutos dela e esqueces por 3 horas.
Mas aos poucos, acostumas-te com aquela pessoa e passas a depender completamente dela.
Então pensas por 3 horas e esqueces por 2 minutos...
Se ela não está por perto, experimentas as mesmas sensações que os viciados tem quando não conseguem arranjar droga.
Nesse momento, assim como os viciados roubam e humilham-se para conseguir o que precisam, tu tás disposto a fazer qualquer coisa por amor.

Paulo Coelho

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Já gastámos as palavras

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse:
as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Abertura de espaço!

Há alguns dias atrás perguntaram-me o que desejava para o 2009 que aí vem e o que por uma razão ou por outra tinha ficado por fazer em 2008...
Surgiu então em mim a sensação que o meu gosto por poesia, pequenas estórias ou pensamentos bonitos poderia dar direito a criar um cantinho no mundo cibernético.
Chegar ao nome do Blog foi fácil, construi-lo também.
Comecei por depositar alguns poemas meus, outros que gosto e pelo menos até Fevereiro já tenho vários posts agendados que vão surgindo dia a dia de forma automática.
Disponham deste lugarzito, divirtam-se e se gostarem em especial de algum poema podem deixar um comentário!
Desde já obrigado pela visita :)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Rosalinda: a águia mágica

Era uma vez …
Uma pequena cidade num país muito distante.
Nesta cidade havia uma linda e grande águia que morava numa linda gaiola dourada.
Era uma águia diferente.
O seu nome era Rosalinda! Era portentosa e belíssima, as suas asas eram enormes e as suas penas cheias de brilho.
Antes de morar nesta cidade, Rosalinda era uma águia livre. Voava noutras terras … perto do mar!
Lá, voava alegremente sobre as árvores, passeava com à vontade normal de quem se sente contente e espontânea, era uma vida em natureza, saudável sobre todos os aspectos. Rosalinda era uma águia feliz!
O seu esplendor reflectia-se em tudo, vivia num lindo lugar natural que a inspirava.
Até que um dia, Rosalinda foi capturada e aprisionada, sendo que a sua casa passou então a ser uma grande e linda gaiola dourada numa terra, longe do mar, e longe da vida que era a sua até então.
E foi desde aí que se começaram a notar nela várias diferenças. Rosalinda, aprisionada naquela linda gaiola dourada, tornou-se uma águia triste.
A sua vida não tinha mais sentido.
Dormia durante todo o dia alienada. Acabava por fazer pouco exercício pois o tamanho da sua gaiola não permitia grandes ousadias, não sentia o vento bater-lhe, não sentia o sol nem o cheiro da fauna e da flora. Mas, quando a noite chegava perdia o sono, e sem mais nada para fazer, por puro aborrecimento, chiava, soltando sons como fazia quando era uma águia livre. Com o seu canto vinham as lembranças das outras terras e do mar e daquilo que foi a sua infância.
Rosalinda não sabia que o seu canto era mágico e os poderes que dele resultavam. Transformava-se em alegrias, lembrando as cores do seu antigo lugar.
A música vinda da saudade de Rosalinda, espalhava-se na noite e entrava por todos os lados … pelos buracos das fechaduras, por debaixo das portas, pelas frestas das janelas, enquanto a gente daquele lugar dormia. A melodia do canto de Rosalinda tinha o dom de modificar o sonho das pessoas.
E aqueles que sonhavam com coisas terríveis, ao ouvir a música esqueciam os pesadelos.
Tudo se transformava…
As cores da melodia da música de Rosalinda, vinda da saudade de outras terras e do mar, coloriam todos os sonhos. E a gente daquele lugar acordava feliz para mais um dia.
Até que um dia tudo se alterou. Uma noite, a sua melodia acordou um pequeno menino…Então o menino percebeu que a melodia não fazia parte do seu sonho, que aquele choro existia de verdade…
Correu a chamar seus pais, e juntos, percorreram aquele pequeno lugar na direcção do canto de Rosalinda e pelo caminho foram acordando todos os seus vizinhos e amigos…
Já toda a população estava acordada quando no alto de uma casa, no parapeito de uma grande janela, avistaram uma linda gaiola dourada, que brilhava ao luar…
Todos juntos, à porta daquela casa exigiram a libertação de Rosalinda para que ela pudesse voar e alegrar os sonhos de todas as pessoas do Mundo…
E foi na altura da libertação da Rosalinda que toda a população daquela pequena cidade em coro gritou:
- Voa, voa livre! Voa! És uma águia e o teu habitat natural não é uma gaiola! Sê livre e feliz! Voa! Voa…!
E a águia embora confusa, não querendo acreditar no que lhe estava a acontecer voou maravilhada de volta à realidade, um pouco trôpega de início, levando a velha frase de sabedoria popular avante “quem sabe nunca esquece” voou rápida e esplendorosamente como o tinha feito antes e voltou para sua casa, para junto do mar, para o seu espaço natural.
Nas suas viagens o seu chiar levará sempre a melodia que alegra os sonhos dos homens…
Conto cantado, o conto está acabado!
Dinis Gorjão - Janeiro 2007

E a vida é ...

Simular, dissimular, fingir
Que validade pode ter?
Sonhar, viver e amar
Que mais se pode crer?

Poder viver a vida a sorrir
É sorte que nem todos vão ter
Outros vêem sua vida fugir
Muito vão ter que sofrer
Dinis Gorjão

Veia artística

Não sabia que tinha esta veia artística
Não é muita, mas tem a sua mística
Por gosto vou desenvolvendo
De poesia sempre gostei, gosto vou mantendo

De poesia sempre gostei
Ler, declamar, recitar
Grandes poetas eu já estudei
Meu reportório foi sempre a aumentar

Porquê passar tempo a escrever
Quando ninguém vai ler
Posso mostrá-las a alguém
Mostro na minh’alma um vaivém

Quem mostra seus poemas
Mostra sua vida, seus temas
Mostra sua alma nua e crua
Daí pa frente sua alma não é só sua

Ler poemas e música ouvir
Escrever poemas com música de fundo
Quero mudar quero sorrir
Não me chateiem no meu mundo

Não faço mal a ninguém
Estou sempre disponível
Um bom alvo em mim vêm
Coisa de pessoas sem nível

Tou lixado com algumas coisas
Apetecia-me gritar, partir loiças
Não há coisa que o tempo não leve
Faça sol ou caia neve

C’um caraças meu irmão
Assim vou perdendo a ilusão
O mundo não é utopia
O cão ladra de dor, o gato mia de agonia

Uns dias faz sol
Outros cai chuva
Tou engripado, vai um panadol
Se tou mal, bebo suma de uva?

Beber não será solução
Gastar dinheiro em bares
Mau caminho, mau plano de acção
Temos é que afastar os maus olhares
Dinis Gorjão - 03/05/06

Inquietudes

Tenho mais imaginação
Quando estou irritado
Muito quero dizer e nada digo
Então desabafo a escrever
Vai ficando como recordação
Vou ficando mudado
Como separar o joio do trigo
Há que escolher o que há pa fazer

Ser feliz à minha maneira
Sorrir de sobremaneira
Fazer o que me apetecer
Ser porreiro e poder escolher

Sou teimoso e obstinado
Muito me tenho mudado
Em pequeno era reguila
Irrequieto era um puto xarila

Cresci numa aldeia
Meia vida, vida meia
Fui parar à cidade alheia
Beja grande, Beja do meu coração
No início foi um grande trambolhão

Da minha vida fazem parte
Coisas banais, grupos corais
Fatias duma mesma tarte
Nada é demais, coisas principais

Admiro muita gente
Outras até venero
Manter amizade ardente
É tudo o que mais quero

Há coisas muito estranhas
Muitas ideias, muitas manhas
Só me enganam à primeira
Depois recolho à trincheira

Há que ter uma visão geral
Coisas novas, sessão inaugural
O tempo vai urgindo
A vaca vai mugindo
Dinis Gorjão - 03-05-06

Singelo sorriso

Admiro em ti uma coisa singela
Como é bonita tua forma de (sor)rir
Quando o fazes, bem me fazes sentir
Coisa simples, mas singular e bela

Loura e morena és toda gira
Na rua eu te espero e vejo passar
Obviamente que fico pasmado a olhar
Gosto de te ter na minha mira

Sempre passas deslumbrante
Quero beber contigo vinho espumante
Olhar bem e teu olhar ver
Conjugar contigo o verbo bem-querer

Da minha vida tu fazes parte
És fatia de uma grande tarte
Outras coisas há, são coisas banais
Também há como tu, são interesses principais

Na ESEB vamos estudando
À noite nos vamos divertindo
Nossa vida, graças a deus, bem vamos indo
Tass bem mas a juventude vai passando

Agora em jeito de remate
Se aproxima a melhor parte
Mil abraços e beijos eu te quero dar
Se puder ser, sempre esse dia lembrar!
Dinis Gorjão - Maio de 2006

Dedicatória na fita de curso

És a chata que me persegue
Mesmo que com energia eu negue
És impertinente, e mais que uma irmã
Queres ser segunda mamã

Já tens o curso acabado
Tá-se a acabar o bom fado
Vida de estudante já é passado
Já tá lá atrás tudo bem amassado

Pró ano aulas tens para leccionar?
Putos reguilas para ensinar
Há conhecimentos a passar
Muito vais ter que lhes explicar

Já te safas-te com 4 quadras
Fixes, embora sendo magras
Foi o melhor que se pode fazer
Para lembrar e não mais esquecer

Para não me chamares preguiçoso
Lá vai mais uma, feito manhoso
Podes sempre arrumar o meu quarto
De fazer esses pedidos eu não me farto

Já chega de rimas e opiniões
Não se consegue por no papel emoções
No futuro há que atingir a felicidade
Vivendo alegre e com humanidade

Lá diz o ditado antigo de Brasília
Para ser feliz, troca preocupações
Por rotineiras ocupações
Ouviste bem Marília?
Dinis Gorjão - Maio de 2006
(Dedicado à mana Marília)

Dedicatória na fita de curso

Conterrânea lutadora
Na vida já é professora
Ana com A de Alegria
M mágico de Maria

Longo caminho há a percorrer
Dando aulas com muito prazer
Voando vai a cegonha para o ninho
Segue tu com um sorriso o teu caminho
Dinis Gorjão - Maio de 2006
(Dedicado à amiga Ana Maria)

Mara...vilha-te

Mara...vilha-te, alegria!
A sorte nunca vem vazia
Teus contos de fadas teus
Teus cansaços sao ateus

Mereces mais e diferente
condizente com a tua mente
Procura por ai a felicidade
afasta de ti essa vil maldade

Pois tu, bruxinha, condizes
Com o que nunca existiu...
Retorna aos dias felizes
E deixa chorar quem riu.
Dinis Gorjão - Novembro de 2006
(dedicado à amiga Mara)

Coisas que acontecem

Na vida há coisas que acontecem
Umas que sempre se esquecem
Outras que sempre nos batem
E muito mal elas nos fazem

Temos que ser descartáveis
Viver vivendo a sorrir
Em vez de maus, ser amáveis
Estamos de passagem, um dia vamos partir

Amarguras, tristezas e pensamentos
Tudo vamos armazenando
Foram apenas momentos
Mas que nos vão martelando

Desilusões com os que pensamos ser amigos
Mesmo com aqueles mais antigos
Deixamos de com eles contar
Vida p’a frente e toca a andar

Há coisas que ficam para sempre
Mesmo que se siga em frente
Grãos ficam no sapato
Ser culpado sem culpa é chato

Facas nas costas me espetaram
Muito mal elas causaram
Fodass pás brincadeiras
Fruto de puras asneiras

O dia corre muito mal
Mais logo vou correr pró ramal
A cabeça aliviar
Mal estar vai passar

Embrulhadas a mais
Voam ventos e vendavais
Não se ouvem os pardais
Não são tempos tradicionais

Amigos temos que preservar
Os bons não são fáceis de achar
Mas alguns metem a pata na poça
Riem-se depois, mas fizeram moça

Quadras vou fazendo
Tempo a passar
Irritações peso vão perdendo
Irritações há que evitar
Dinis Gorjão - Setembro de 2008

Infância na aldeia

Minha terra é linda
Saudades em mim se criam
Tenho vontade de lá voltar
Tanta que vocês nem imaginam

Adoro cães, mas nenhum posso ter
Minha casa não tem disso possibilidade
Mas um dia dono de um quero ser
É tão bom ter um amigo de verdade!

Skipy quanto de ti me lembro
Lágrimas em mim querem correr
É como ter perdido um membro
Como me posso de ti esquecer?

Em pequeno muito brinquei
Dia a dia coisas novas descobri
E por isso nunca duvidei
Minh’alma de criança manti

Santo Aleixo da Restauração
Terra onde cresci
Para sempre no meu coração
Tua batida eu sempre senti
Dinis Gorjão - 2004

Fábula do Perú

Um peru conversava com um touro. "Adorava subir ao topo daquela árvore" disse a ave ao bovino, "mas não tenho força suficiente para levantar voo".
"Podes lamber-me o rabo", respondeu o touro, "o meu estrume tem muitas vitaminas".
Então o peru começou a lamber o rabo do touro, notando que começava a ter forças para gradualmente ir subindo ramo após ramo até que, passado algum tempo, chegou, finalmente, ao topo da copa da árvore.
Uns dias depois, um lavrador que o viu empoleirado na árvore, agarrou uma espingarda e deu-lhe um tiro no papo.

Moral da história:
"Lamber cus pode levar-te ao topo mas em geral, não por muito tempo!"

Quem ama…

Porque quem ama
Não sabe tal é o drama
Quando alguém nos trama
E então ficamos na lama

Coisa bela da vida: poder rir
Viver rindo e sonhar
Muitas emoções poder sentir
Mas que será da vida sem amar?

E se assim for
Rebentamos de dor
Olhando em nosso redor
Pensando ser filho de deus menor

E só nos apetece fugir
Responder a alguém a mugir
Em vez de falar tossir
Colocar a mágoa a sair

E se não vem o nosso resplendor
Foge a vida, fica o ardor
Tormento que alguém nos quis por
Fica o coração frio sem fervor

Fica o corpo arrefecido
Fica o coração humedecido
Depois de um comportamento bandido
Qualquer contacto fica banido

Ainda não descobri um grande amor
Que me controle, que me tome
Comigo um só some
De aventura tenha fome
Que me faça sentir aquele calor …

Agora em jeito de remate
Se aproxima a melhor parte
Mil abraços e beijos eu quero dar
E à espera desse alguém eu vou estar

Dinis Gorjão 26/09/2007

Há sempre alguém que nos faz falta

Há sempre alguém que nos faz falta!
Menina lutadora,
tu sabes que és uma lutadora!
A licenciatura chegou e o futuro está aí.

Agarra-o.
És mesm muito importante para mim.
Guardo comigo todos os momentos
que já passámos.

Começou lá atrás,
parece que foi ontem,
mas já foi há um ano.

Qualquer coisa de bom que nasceu
não vai terminar.

Porque preciso de ti.
Dinis Gorjão - Maio de 2007

A despedida

Quatro anos que são marcos da nossa vida
nos quais parámos para viver
foi uma empolgante corrida
em que nos ficámos a conhecer

Ai! Tempos de encantos...
volvidos episódios e fulgores
findemos ora sem grandes prantos.
Guardar-vos-ei como meus amores!

Adeus amigos da minha alma
vossoscarinhos não são meus
a saudade corta-me a fala!
Mal consigo dizer... adeus.
Dinis Gorjão Benção das Pastas - 08/02/2008

Fui à rua...

Fui à rua
Olhei para a lua
lembrar quem dera
e vi ela
e que quimera...
estava a sonhar!

E então
olhei de novo o céu!
Agora, a lua fugia...
Zig zagues fazia
e a noite era linda...
E sorria.

Imaginei-te num beijo,
um beijo nervoso e lento...
Como quem cede ao desejo
conforme a nuvem
cede ao vento.
Dinis Gorjão

Desejos

eu nem imagino o que poderia acontecer,
se eu visse essa toalha a cair
a cobrir sua dona iria-me entreter
para nenhum frio ela poder sentir
Dinis Gorjão - 2005

Disparates

Não sei se vou ficar aqui
Ou se vou fazer esqui
Mas tinha que aprender
De pé tinha que me manter

De vez em quando só digo disparates
Outras digo coisas impecáveis
Dinis Gorjão

Palavras soltas sem nexo

E porque tudo sai ao contrário
Escondemo-nos num armário
Com comportamento otário
Mau resultado sumário

E então ficamos ao sol
Fica a cabeça e o corpo mole
Trinca-se algo, bebe-se sumol
E toma-se um panadol

E se não regressa o nosso resplendor
Foge a vida, fica o ardor
Tormento que alguém nos quis por
Fica o coração frio sem calor

E achamo-nos vulgares
Sorte má, maus olhares
Não te obrigo a me amares
Se outro contemplares

E assim é para continuar
À procura de melhor amar
Melhor pessoa para namorar
Em que se pode confiar

Ando confuso por ter que escolher
Melhor moça tento ter
Muito feliz eu quero ser
Atrás da vida eu vou correr

Ainda tenho esperança
De usar contigo uma aliança
Representando a nossa junção
Cantando aquela nossa canção

Quero ouvir aquele cante
Acordar contigo minha amante
Seres tu a minha rainha
Tu és boa matéria-prima

Vamos ver o que será o futuro
Ultrapassaremos nosso muro?
Ou nosso carro terá um furo…
Será que nosso amor é puro?

Quero atingir a felicidade
Enquanto é tempo e sem maldade
E com grande sagacidade
Evitar viver com crueldade

Hoje já está tudo dito
Quem sabe ultrapassarei o mito
Se assim não for então eu grito
Perco fortuna, fico falido

Por ora é hora de ir deitar
Tenho o cérebro a fumegar
Pôr estas frases a rimar
Sobre o que significado de amar

Amanhã é outro dia
Ladra o cão, o gato mia
Não é mau estar celibatário
Quem me dera ter o teu fadário
Dinis Gorjão

Projecto

Belo projecto a realizar,
crianças e jovens a participar,
você a assistir
nós a produzir.
Dinis Gorjão - Abril de 2005

Adolescência na cidade

Árbitro de Futebol quis ser
Tarefa nada fácil de se escolher
Velhos amigos me habituei a perder
Novos amigos os fizeram esquecer

Estudei na Mário Beirão
Puto ainda com pouco viver
Sai de lá um rapagão
Com ganas de outras coisas conhecer

Fui para a D.Manuel estudar
Antigos colegas perdi
Mau bocado custou a passar
Mas sinto que por isso cresci

Com tanta confusão
Um ano acabei por perder
Tornei-me mais rezingão
Era a forma de me defender

Os tempos foram-se passando
Ano após ano o secundário conclui
Não sabia o que me estava esperando
O curso de Animação eu escolhi

Malta porreira eu conheci
Novas maneiras de viver
Novas pessoas conheci
Amigos para sempre hei-de ter!

Música Grupo de Escoteiros de Beja

Ser Escoteiro (para ser cantada ao som de I'm Yours de Jason Mraz)

Antes faltava-me algo e eu não sabia o que era
tentei procurar até que encontrei
como é que não o vi antes
Vou atrás do meu sonho

Somos um grupo à maneira
É um orgulho dizê-lo
Nada nos vai parar
Eu tenho toda a certeza

Vamos seguir um rumo
Boa Caça e Sempre Pronto!

Então eu não vou negar, não, nunca mais!
Eu sou escoteiro
E gosto!

Abre o coração e vê como eu
Abre os teus braços e sente alegria
Olha para o lado e encontras um grande amigo
Ouve a música ... anda canta comigo
Os escoteiros sao uma grande família
Aproveita para ser feliz e .... sorri! sorri!

Então eu não vou negar, não, nunca mais!
Eu sou escoteiro
E gosto!

Para quê negar?
Eu sei que é fixe
Eu sou escoteiro
E Gosto!
Dinis Gorjão - Novembro de 2008

Vida de Árbitro

Hoje estou um pouco cansado
Tive jogo e muito tive que correr
Vou ficando estafado
Não sei se árbitro me irei manter

No distrito onde me cabe apitar
O melhor eu quero ser
Minhas pernas os chefes estão a cortar
Dizem que me querem proteger

Muito novo ainda sou
Mas os anos vão passando
Da arbitragem me estou fartando
Qualquer dia disso me vou

Com todos tenho boa relação
Mas invejas sobre mim existem
Ser como eu eles querem
Vocês nem tão a ver como eles são

Querem ser uns grandes abutres
Devoradores, forazes, cruéis
Não tenho medo de mamutes
Os árbitros não são fiéis

Porque é que somos assim?
Custo a perceber
Qualquer chi-cha-pim
Doutor ele quer ser

Que futuro me resta a arbitrar?
Dia 10 de Maio eu vou decidir
Mais uma vez não vão enganar-me
O meu orgulho não vai permitir

Alguns amigos vão permanecer
Outros guia de marcha vão levar
Alguns pretendo conservar
Outros talvez nunca mais ver

Ser árbitro não é uma facilidade
Ter que em momentos decidir
Provocar desgostos e felicidade
Ver inimigos surgir

Há um caminho íngreme a percorrer
Objectivos a atingir
Uns muito vão correr
A meio do caminho vão sair

Será que é mundo cabrão?
Por o mal dos outros se luta
Mas fica na recordação
A desgraça que aos outros se imputa

Mexe, remexe, e toca a mexer
Com as duas mãos se puder ser
Há-de ser o melhor quem eu me apetecer
Eu é que mando e assim vou fazer

Trocas e baldrocas há a registar
Assim Portugal vai continuar
Será que o mal é local?
Portugal é assim no geral!

Canções bonitas me tocam
Falam, falam, falam
Só à 1ª me enganam
Do pouco que fazem não me encantam

Porquê não havemos de mudar?
Porra do sistema a vigorar
Apito Dourado p’arquivar
Esta merda não há-de mudar

Assim vai a arbitragem
Com a peneira não hei-de o sol tapar
Isto sempre foi uma ladroagem
Padrinhos e padrinhagem a vigorar

Sempre assim há-de ser?
Nunca há-de mudar?
As pessoas tem que perceber
Não há vontade de que está a mandar

Leis e mais leis para estudar
Um advogado pareço
Mas de tempo para analisar
Disso eu não mereço

Em segundos há que decidir
Penalties para assinalar
Penalties por marcar
Vai acontecer já a seguir

Cartões foram feitos para mostrar
Não os convém dar
Eu cá não dou nenhum
Choviam pedidos, armava-se um zum-zum

Treinar, estudar e progredir
É o lema capital para seguir
Seguir vivendo na ilusão
Que o melhor é campeão

Há certas normas regulamentadas
Quem não cumpre leva com a ripa
Não convém dar más passadas
Pois no fim é feito numa tripa

Descidas e subidas
Em plenário são discutidas
“Sobe o meu e sobe o teu”
O sistema no apogeu!

Beja do interior é
Que maldade nos calhou
Sempre a levar pontapé
Raio de maldição, quem a lançou?

Alentejo, tá de passagem
Caminho entre algarve e capital
Nem no raio da arbitragem
Portugal deixa de ser Portugal

“Pelo justo paga o pecador”
Justiça é a palavra mestra
O Chefe decide sem grande alvor
Quem interessa e quem não presta

Quem caminho vamos levar
Desacreditação há-de continuar
Quem manda mete água
Que se fode fica com mágoa

Decidindo a torto e a direito
Intenções a manobrar
Tá tudo feito, tá tudo feito
Manda quem pode mandar

Tristezas vamos soltando
Verso a verso vão saindo
Recordações vão ficando
O sorriso lá vai saindo

Não me esqueço quem me traiu
Esses pouco valor têm
Palmadinhas nas costas e lá saiu
Aquilo que todos vêem

Não admito compadrios
Nem calculismos ou mentiras
Prefiro que sejam frios
Enterras-te quando juras

Qual é o melhor modo de analisar?
Isenção por força tem que existir
Imparcialidade coisa a rarear
Mentir e toca a banda a seguir

Não se olham a meios
Para atingir os fins
São uns feios
Não têm tins-tins

Quem não é recto que saia
Quem for marreco abandone
Arbitragem não é a vila faia
Não há banda nem trombone

Doutra coisa me apetece falar
O sono já está bater
Raio de sina, 1 terço da vida a hibernar
Quem me dera menos ter que ser

Aos 90 anos chegarei?
Que terei para contar?
Um velho chato eu serei.
Os meus bisnetos hão-de se orgulhar

Cara metade a encontrar
Tarefa nada simples de se fazer
És solteira? Vem-me conhecer
Quem sabe não nos podemos acertar

Amanhã há muito que fazer
É um lema com tradição
Nada quero comprometer
Na vida há que ser campeão

Umas quadras hoje eu fiz
Como poeta sou petiz
Não sabia este jeito ter
Inda há muito p’aprender

Descansado vou dormir
Amanhã outro dia pa enfrentar
Até o sol escurecer
Muitas emoções há pa sentir

Última quadra que hoje faço
Mais eu já não me maço
Ninguém vai ler
Sempre eu as vou ter!

Dinis Gorjão - 2005

Pensamentos 7

Dedicámo-nos a pensar no que é a vida, e qual seria o seu modelo mais perfeito.
Realmente acabámos por chegar a algumas conclusões extremamente interessantes...
Como por exemplo: A coisa mais injusta na vida é a maneira como ela acaba. A nossa existência deveria justamente começar pela morte. Os primeiros anos seriam passados num lar de terceira idade, até sermos expulsos por sermos novos de mais.
Alguém nos oferecia um relógio de ouro e um Ferrari e íamos trabalhar durante quarenta anos, até sermos suficientemente novos para nos reformarmos.
Então desatavamos a experimentar drogas leves, alcool e muito sexo até ficarmos miudos. Nessa altura poderiamos comecar a brincar todo o dia e a gozar o facto de não termos qualquer responsabilidade.
Finalmente, chegados a bebés, voltavamos para o conforto da barriga da mãe, gozavamos um magnífico banho de imersão durante nove meses e acabavamos com um orgasmo!
Charles Chaplin

Porque a vida não é nada se não escutarmos o coração

Tantas são as vezes em que olho para trás
E penso no sou e no que já fui...
Tantas são as vezes em que me escuto e no silêncio me pergunto:
Afinal quem sou?
Menina rebelde, impulsiva que leva a vida sempre a rir
Não guardo rancores, nem desamores...
mas não esqueço quem me quis trair
Tenho na bagagem algumas ilusões
Puros fantasmas escondidos nas minhas emoções
Vivo consoante as regras do meu coração
E pinto a vida sempre com muita paixão
Adoro a lua, as estrelas e o mar
E é para eles que corro quando quero chorar
Idealista, persigo os sonhos sem medo de lutar
Respeito cada dia que nasce
Porque a cada novo dia a minha esperança num mundo melhor renasce
E amo... amo sempre com loucura e paixão
Porque a vida não é nada se não escutarmos o coração!
Desconheço o autor

Pensamentos 6

Amigos são anjos que nos deixam em pé quando as nossas asas tem problemas e não se lembram de como voar.
Desconheço o autor

Pensamentos 5

Hoje queria tanto prometer-te os impossíveis todos e alcançá-los num suspiro fundo para os entregar na boca doce de um beijo.
Jorge Barnabé

Cismar

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca

Pensamentos 4

Olhar para a frente sem saber o que vai ser de nós.
Sentir-se transportado para a frente e depois para trás, ficar tonto, sem ter mais no que pensar.
Levantar, andar, voltar e depois parar num mesmo sítio, sempre diferente.
Desistir, recomeçar, deixar cair, agarrar por momentos e depois abandonar.
Sentir-se feliz, absolutamente feliz e logo depois desesperar, sem esperança alguma de voltar a acreditar, e depois voltar a acreditar e sentir a felicidade, aos poucos a voltar.
Tudo isto à volta de um amor, por causa de amor, tudo isto e muito mais, meu amor, que te tenho de esconder.
Senão dizia-te.
Desconheço o autor

Pensamentos 3

O que é a vida sem amor senão uma existência vazia e adiada, estéril e sem sentido?
Margarida Rebelo Pinto

Eu Sou Quem Sou.

Eu Sou Quem Sou.
Eu não sou quem gostaria de ser.
Não sou o que deveria ser.
Não sou o que a minha mãe gostaria que eu fosse.
Nem sequer sou o que fui.
Eu sou quem sou.

Tu não és quem és
tu não és quem eu preciso que sejas
ti não és o que foste
tu não és como a mim me convém
tu não és como qu quero,
tu és como és.
Aceitar isso e
respeitar-te é não te pedir que mudes.
Jorge Bucay

Pensamentos 2

"Acredito no amor, aquele amor, o único que deve andar em outros papéis que não estes, mas que encontrarei, ou me descobrirá um dia, num passeio à mata.
E chama-me infantilmente romântica se quiseres, mas esse amor dedicar-se-à a desmachar tudo o que em mim sofre e a restituir tudo o que me foi roubado.
Far-me-à sentir merecedor de todo o mundo não só pelas minhas virtudes, mas também ( e quem sabe principalmente) pelas minhas imperfeições"
Desconheço o autor

Pensamentos 1

Puculei di tas puculei di fenti,
vilei ao cuntaliu, sacudi o tufoni e num achei voce.
Fiquei tisti e penchei: ondi galdei?
Lembei
Galdei você no meu colação. :)

Histórias de uns Beijos

Ouvia gabar os beijos,
Dizer deles tanto bem,
Que me nasceram desejos
De provar alguns também.

Esta fruta não é rara,
Mas nem toda tem valor,
A melhor é muito cara
E a barata é sem sabor.

Colhi-os dos mais mimosos,
Provei três ; mas, por meu mal,
Ao princípio saborosos,
Amargaram-me afinal.

Um colhi eu de uma bela
Que era Rosa, sem ser flor,
Se tinha espinhos como ela,
Dela também tinha a cor.

Vi-a a dormir e furtei-lhe
Um beijo, que a acordou,
Eu gostei, porém causei-lhe
Tal susto que desmaiou.

Logo que a vi sem sentidos
Fugi sem outro lhe dar,
Pois beijos sem ser pedidos
Não são coisas pra brincar.

Porém deste beijo ainda
Pouco tive que dizer,
Pois a tal rosa... era linda
E tornou a reviver.

Outra vez, duma morena,
Olhos azuis, cor do céu,
Corpo 'sbelto, mão pequena,
Um beijo me apeteceu.

Pedi-lho, e então por bom modos,
Pedi-lho do coração
.Zombou dos meus rogos todos
E respondeu-me: que nao.

Zombei, como ela zombava
E um beijo, à força lhe dei;
Mas... bem dado ainda não estava
E c'um bofetão o paguei.

Custou-me caro o desejo,
Que mui caro ela o vendeu.
Pagar por tal preço um beijo!
Assim não os quero eu.

Este mais do que o primeiro,
Me deixou fraca impressão;
Quis provar inda um terceiro,
Para não jurar em vão.

Mas não quis fruta roubada,
Que mal com ela me dei
Uma dama delicada
Ofereceu-ma... eu aceitei.

Ai que boa fruta era !
Estava mesmo a cobiçar.
Passar a vida quisera,
Tal fruta a saborear.

Mas no meio da colheita...
Da fruta o dono apareceu;
Zelosos olhos me deita:
Se zelava o que era seu!

Vendo o caso mal seguro
Eu logo ali lhe jurei
Restituir até com juro
A fruta que lhe tirei.

E acaso não discordasse,
Não me parecia mal
Que a ele os juros pagasse,
E à senhora... o capital,

Esta sensata proposta
Em fúrias o arrebatou,
E, por única resposta,
Pra luta se preparou...

Oiço ainda gabar os beijos,
Dizer deles muito bem,
Mas findaram-me os desejos,
Já sei o sabor que têm.
Júlio Diniz 1859

Não devia ter-te deixado partir.

Quando decidimos parar de tentar pareceu-me a coisa certa a fazer.
Já não éramos os mesmos. Os dias já passavam bem sem a tua presença.
Já não me ligavas de madrugada para me dar um beijo e me fazer rir. Eu já não te mostrava o céu e o mundo.
Pareceu-me.
Pareceu-nos.
Pensámos que não era justo continuar por hábito.
Pensámos ser hábito, já não amor. Pensámos ser necessidade, já não paixão.
Pareceu-nos errado prendermo-nos a algo que já não encontrávamos.
Era a coisa certa a fazer.
E eu nunca me arrependi tanto.

Hoje vejo como estava enganado.
E não podia estar mais arrependido. De te ter deixado ir, assim.
É como se te tivesse mostrado a porta de saída.
E tu saíste.
E quando partiste despedaçaste-me.
Levaste contigo partes de mim que me fazem falta para poder respirar.

Descobri que o que nos fazia falta ainda lá estava.
Que era só preciso um empurrãozinho para nos darmos conta.
Será que deste conta? Depois de nos termos empurrado para longe um do outro…
Será que também te arrependeste?
Será que viste como eu o quão errados estávamos?
Será que viste que afinal ainda somos os mesmos?
Que só nos tínhamos esquecido por um bocado?

Não sei se reparaste.
Não voltaste para me dizer.

Tentei esquecer-te. Passar à frente.
Tentei admitir que pudesses mesmo pensar que tinhas tomado a decisão certa. Tentei.
Não consegui. Fiquei só.
Depois procurei-te.
Não te encontrava.
Procurei-te em todas as mulheres.
Um pouco de ti, nem que fosse.
Um mexer no cabelo. Um olhar. Um toque. Um sorriso.
Difícil de igualar.
Eras tu com quem eu estava quando estava com elas.

Será que é tarde?
Será que ainda pensas em mim?
Será que alguma vez paraste de pensar?

Disseste-me uma vez que havia muitos grãos de areia numa praia.
Vou procurar-te em cada praia onde for.

"Quis-te tanto que gostei de mim"

Vi-te na rua e quis-te.
Não que nunca te tivesse visto; não que não te quisesse antes; não que te visse de forma diferente.
Apenas ao ver-te, quis-te. Assim, simples. Um querer mais que bem-querer.
Inexplicável, mas simples.

Quis-te; o meu querer quis o teu querer, e eu quis que me quisesses assim.

Olhei-te, quis-te; foi natural, foi básico, foi evidente.
Quis procurar em ti até te encontrar, tu que eu queria tanto, no meio de roupas e conversas e noites sem dormir.

Quis-te tanto que senti falta de ti, mesmo estando ao teu lado.

Quis-te, pois que nada mais quero; quando te quero assim não há nada mais, não há espaço para querer além de nós.